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Educação

 Comunidade da Linha Rio Poço se mobiliza para escola não fechar

A notícia de que a Escola Estadual de Ensino Fundamental Antônio Gomes, que tem 17 alunos, está entre as 45 ameaçadas de fechamento na região de abrangência da 15ª Coordenadoria Regional de Educação, fez a comunidade da Linha Rio Poço se mobilizar.

Durante reunião realizada na segunda-feira desta semana, o grupo decidiu pelo não fechamento da instituição, já que muitos de seus alunos são oriundos da Comunidade São João – Cascata, que já teve uma escola desativada. 

A diretora Clecy Giaretton Filippin disse que vários aspectos foram levantados e mencionados em ata levando à decisão. 

As muitas experiências educacionais que são desenvolvidas com os alunos no pomar, horta e jardim da escola, todas com sucesso, estão entre os motivos, que segundo ela, também revelam a importância que é dada ao meio rural, além do incentivo para que o aluno permaneça na terra. 

A professora também lembrou que a comunidade escolar faz acontecer o processo de participação envolvendo a todos e resgatando valores culturais e morais de quem vive no interior, sua relação com a natureza e valorização da família. “Os pais pedem que seja garantido o direito à educação no meio rural de cada aluno já matriculado pois, o deslocamento até a cidade é muito distante, a permanência dentro do ônibus escolar fica em torno de 3 horas/dia e muito mais agravante é o risco de acidente graves, como a tragédia já presenciada por todos em nosso município”, comenta. 

Para a diretora, o vínculo familiar e escolar desenvolvido na escola faz com que os pais se sintam seguros com a permanência de seus filhos na instituição, estando distantes de ruas com grandes movimentos de veículos, vícios e até mesmo drogas, já encontradas nos portões de muitas escolas da cidade. “Se ocorrer a cessação das atividades de nossa escola estaremos contribuindo ainda mais com o êxodo rural e a migração às cidades, situação que os pais não aprovam, porque desejam que os filhos tenham educação e melhoria de condições de vida no meio rural, sem precisar sair dele”, justifica. 

Clecy disse também que a comunidade escolar é muito engajada com os compromissos assumidos. “Além de cuidar do prédio, mantém o pomar, a horta, o jardim, o campo de futebol e o terreno limpo, evitando dessa forma que capoeiras cresçam e o lugar não se torne alvo da marginalidade ou até mesmo da invasão de sem terra, como ocorre em outra escola nas proximidades”, revela.

 Conforme a diretora, há pouco tempo a escola passou por reformas externas. “Foram construídos três banheiros de alvenaria e, sem dúvida, o prédio tem plenas condições de uso por muitas décadas. Em regime de mutirão, os pais adquiriram tinta para pintar as salas de aula e melhorar a aparência, sem usar a verba destinada à escola, que foi utilizada na compra de material aos alunos”, esclareceu. 

Clecy também informou que a escola tem um terreno de 40 mil m2, onde é plantado soja e milho. 

A renda das culturas é revertida em melhorias à instituição. Há dois anos à frente da direção da escola, Clecy afirmou que adotou a instituição e os educandos. Como a Escola Estadual Antônio Gomes está localizada a 3 Km do Distrito Industrial, ela acredita que muito em breve, com a ampliação do local, será mais fácil alunos residentes naquela área da cidade se deslocarem até esta escola do que virem ao centro da cidade. 

“Os pais desejam que seus filhos sejam cada vez mais incluídos na escola do meio rural e não excluídos já no início de sua vida escolar”, finalizou.

21.01.2005

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(Fonte: Jornal Diário da Manhã )

 

 

 

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