Erechim/RS -

 

 

 

Daubi Piccoli

Governo 'para valer' 

Após as Eleições de 3 de outubro e garantida a reeleição de Eloi Zanella para governar Erechim por mais quatro anos, logo surgiram rumores de alterações profundas em seu governo e estilo de governar, até então atrelado a acordos políticos da coligação que tirou Luis Francisco Schmidt da cadeira de mandatário máximo do Município, em outubro de 2000.

 Garantida a eleição, Zanella entra para a história como o único prefeito a governar o município por quatro mandatos.

 Até aí, nenhuma novidade. Zanella venceu sua primeira eleição, em 1976, com uma chapa considerada ‘Zebra’ e cujo animal foi usado na campanha, a exemplo deste ano, com a Abelha. Foi a  oposição dentro da situação e Erechim, é preciso admitir, começou a mudar e a população pôde, finalmente, vislumbrar um futuro promissor para sua querida terra natal ou adotiva, para muitos.

As recentes declarações do prefeito, no entanto, deixam transparecer o pensamento de um político maduro, porém cansado de construir administrações, apoiadas por coligações de cunho eleitoreiro e, talvez, de interesses políticos.

Se Zanella pretende encerrar sua carreira política com esta administração, está agindo de modo correto e, talvez, pela primeira vez, vai administrar do modo que gostaria de ter feito desde 1976 ou, talvez, do modo que foi construindo seu ideal de administração ao longo dos anos e de suas experiências e experimentações no cargo e fora dele.

Feita a análise inicial e objetivando uma razão para o título do texto, questiona-se, no entanto, uma certa percepção de mágoa e até, pode-se arriscar, revanchismo, que surgiu em recente entrevista concedida pelo prefeito aos jornalistas José Adelar Ody, Rodrigo Finardi e Salus Loch, do Jornal Boa Vista, na edição de 19 de novembro de 2004.

Zanella deixa claro que não consegue compreender o motivo de um programa como o PROETI, tão alardeado e festejado, tendo sido, inclusive, premiado, não ter lhe dado resultado positivo, em forma de votos, nas urnas.

Se a reclamação de Zanella, candidato eleito, procede e tem fundamento e, deve ter; caso contrário o prefeito não estaria trazendo o assunto para uma entrevista; a mesma reclamação soa de modo estranho quando se percebe que Candidato Eleito e Prefeito em (e futuro) Exercício são a mesma pessoa.

Se a ‘menina dos olhos’ da Secretária de Educação, Maria Elisa Zordan Franceschi, tão festejada e premiada, está trazendo resultados efetivos e produtivos, em termos de proporcionar aos jovens menos favorecidos, ‘recreação’, como a ele, o Projeto, se referiu Zanella, então é desse modo que deve ser levado em consideração.

Para um bom administrador e Zanella é, inquestionavelmente, um bom administrador, o assunto deve ser tratado de modo técnico, analisando a viabilidade de seu prosseguimento ou cancelamento.  

De qualquer modo, pode-se garantir, de antemão, que a repercussão do Projeto é muito boa e, provavelmente, se não rendeu votos da parte de quem dele se beneficia, rendeu da parte da população que o tem em alta consideração, pensando única e exclusivamente no seu lado social, já que vivemos em tempos, nos quais o assistencialismo é, antes de tudo, um modismo, seja para realmente fazer o bem aos semelhantes ou para ganhar eleições.

Desse modo, se o problema é apenas a ingratidão das pessoas com o candidato, então, é preciso que o prefeito repense suas colocações e reflita a respeito dos próximos quatro anos de sua administração, pois não é preciso ser um grande especialista em Política para saber que, se Eloi João Zanella pretende encerrar sua carreira de administrador em 2008, não pretende fazer o mesmo na área Legislativa, onde já obteve êxito anteriormente.

Também não é preciso mais do que acompanhar o dia-a-dia político da cidade para saber que, se há alguém que reúne as qualidades para ser o candidato, o tão propalado agregador de forças políticas da região, este candidato é, no momento, o atual e futuro Prefeito de Erechim.

Que Zanella deve sim, fazer um governo 'para valer’ não há dúvida; é imprescindível que o faça. Porém, é imprescindível também que se conscientize que será desta futura administração que os eleitores lembrarão na hora de depositar seus votos na urna, para elegê-lo Deputado, caso decida, realmente, concorrer ao cargo.

29.11.2004

 Editorial 

 

 

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