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Dirceu Benincá*

A paz que vem do Quênia

Ela já foi considerada um perigo público. 

Agora é Nobel da Paz. 

Atende pelo nome de Wangari Maathai. 

Trata-se de uma ambientalista queniana.

No dia 8 de outubro, ao ser indicada para o Prêmio Nobel da Paz/2004, declarou: “Muitas guerras no mundo hoje são travadas por recursos naturais. Cuidando desses recursos, plantamos sementes de paz hoje e no futuro.” (Folha de S. Paulo, 9 de outubro de 2004, A 15). 

Maathai fundou o Partido Verde em seu país e criou o Movimento Cinturão Verde, responsável pelo plantio de mais de 30 milhões de árvores. Assim, ficou conhecida como “mulher-árvore”.

Premiações há de todos os tipos e em todos os lugares. Mas, esta convém que a ponhamos em destaque. 

Afinal de contas, é a primeira vez que uma africana recebe um prêmio desta natureza. Também é inédito que a causa ambiental seja premiada com este troféu. 

A homenageada dedica sua vida à preservação da biodiversidade. Defende as mulheres e os pobres; luta pela democracia, pelo acesso à terra e ao trabalho e pelo cancelamento da dívida externa.

Sempre vestimos a paz de branco. Agora estamos aprendendo que ela agrega outras cores. Reveste-se também de preto, tal como nossos irmãos africanos e a grande maioria do povo brasileiro. Apresenta-se investida de verde, cor da esperança e do compromisso ambiental. Bem o sabemos que a paz é conseqüência da justiça social. E junto com a luta pela igualdade de direitos, requer uma luta constante pela superação dos mais profundos preconceitos raciais, causa de tanta discriminação e exclusão.

De guerras e violência das variadas espécies e níveis, estamos enojados. Contudo, no contraponto podemos correr o risco de querer usufruir a paz sem plantá-la nem construí-la. As sementes nós as temos. No entanto, nem sempre as sabemos plantar de modo adequado. Muitas vezes fracassamos ante os desafios de cultivá-las. 

A paz não decorre da fuga espiritual deste mundo. Tampouco resulta dos ataques preventivos como faz Bush e seus comparsas.

A paz é uma opção radical. E radical tem a ver com raiz. 

Quem quer a paz, precisa ir à raiz dos problemas humanos, sociais e ambientais. 

Assim o fez o próprio Jesus Cristo. 

Por sua vez, também Ele foi considerado um subversivo, um homem perigoso. Não foi por outro motivo que o dependuraram na cruz. Porém, depois de tudo, ressurgiu e fez valer a paz: “Eu deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz. A paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá” (Jo 14, 27).

Que a motivação advenha de nossa fé em Jesus Cristo e/ou de nossa admiração à queniana Wangari Maathai. 

Urge que a paz seja promovida aqui e agora; em todo o lugar e para sempre. 

Ela é um dever nosso. E não o é por simples obrigação cidadã. É-nos por eminente e irretorquível necessidade. Sem paz efetiva não há vida digna.

Oxalá sejamos todos premiados com o Nobel da Paz!

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*Dirceu Benincá
Mestrando em Ciências Sociais – PUC/SP


dirceuben@ig.com.br

 

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