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Sociedade Germânia

 

180 Anos de História Alemã no Rio Grande do Sul (1824 - 2004) (com Fotos)

Há 180 anos chegaram os primeiros imigrantes alemães ao RS, um gesto de grande representação para esses pioneiros, uma vez que os homens somente muitos anos mais tarde conseguiram ir ao espaço e conquistar a lua. O mar, para aqueles Imigrantes, era símbolo de incertezas e mistérios. A viagem foi uma verdadeira aventura e chegaram às terras que lhes haviam sido destinadas em 25 de julho de 1824, vindos da Prússia, da Renânia, de Hesse e da Pomerânia.

O motivo da vinda desses imigrantes foi a propaganda que o governo brasileiro fazia das terras produtivas, na Europa, com o intuito de trazer trabalhadores braçais. Vieram atraídos pela promessa de receberem setenta hectares de terra por família, muita fartura e riqueza; um verdadeiro eldorado americano. Teriam, enfim, algo que jamais conseguiriam em sua velha pátria.

Havia ainda outro agravante que impulsionou a partida que foram as grandes devastações provocadas pelas Guerras Napoleônicas e das previsões de muito desemprego futuro, que seria provocado pela invenção da máquina à vapor, na Ingraterra, pelo escocês James Watt.
O primeiro grupo de trinta e oito alemães chegou em Porto Alegre e foi conduzido em pequenos barcos, pelo Rio dos Sinos até São Leopoldo, de onde seguiu, em carros de boi, para a Feitoria de Linho-Cânhamo, por mais vinte quilômetros.

Até este trajeto, somava-se uma jornada de doze mil quilômetros para chegar até a 'terra prometida', da beleza e da fartura. No entanto, o que encontraram foi decepcionante, pois não havia estradas e tudo era mata e cerrado. Era dia 25 de julho de 1824 e nunca tinham presenciado cena tão desoladora; romperam em choro.

Porém, não desanimaram e ali construíram uma comunidade, deixando a indelével marca de seu trabalho e personalidade em diversos setores do RS, principalmente no que tange às pequenas propriedades rurais, exploradas pelas próprias famílias de alemães, sem o emprego do trabalhador assalariado. Desse modo, continuaram desbravando e expandindo seus empreendimentos.

A Primeira Colônia Alemã de São Leopoldo se estendia de Sapucaia do Sul até Caxias do Sul e de Taquara até Montenegro. Eram as grandes extensões de terras formadas pelos rios dos Sinos e Caí. Os férteis vales do rio Taquari e do Rio Pardo foram colonizados por novos imigrantes alemães no fim do século retrasado e início do século passado, quando chegaram até a Serra de Nova Petrópolis, Gramado e Canela e, posteriormente, Ijuí, Santa Rosa, Panambi, Cerro Largo e ao Alto Uruguai.

No dia 6 de fevereiro de 1910, chegaram a Erechim vinte e cinco alemães entre adultos e crianças, seguidos por mais famílias da mesma procedência. Em 1915, três anos antes da fundação do Município, os alemães já representavam 13,29% da população total.
Na região Alto Uruguai, os alemães se dedicaram a diversos ramos de atividade, usando seu conhecimento técnico, o qual foi aproveitado para planejar e construir pontes, prédios e também na construção da ferrovia, cujo trajeto iniciava na cidade de Santa Maria e seguia até São Paulo, capital. Muitas famílias foram se instalando junto ao caminho seguido pela ferrovia. Desse modo, foram surgindo as cidades de Getúlio Vargas, Três Arroios e Marcelino Ramos.

Na cidade de Aratiba, a família de Carlos Fünfgelt possuía a Colonizadora Luce e Rosa e muitas famílias se instalaram naquela região, por meio de aquisição de terras da referida companhia. Desse modo, no interior, surgiram igrejas católicas e protestantes e, ao redor delas, pequenos núcleos de povoamento.

A família Fünfgelt teve um papel muito importante na vida desses colonos estrangeiros, ensinando-lhes modos mais proveitosos de usar a terra, do mesmo modo que, contribuindo na organização de festas populares.

Os alemães que não se deslocaram para os núcleos do interior da região Alto Uruguai, permanecendo, portanto em Erechim, formaram a importante comunidade alemã dos dias de hoje. Com a Segunda Guerra Mundial, iniciada no ano de 1939, muitos familiares vieram se juntar aos seus, fugindo do horror nazista que se instalava na Europa, sob o comando de Adolf Hitler.

O presidente Getúlio Vargas, após um período de longa simpatia pelo colega ditador alemão, resolveu ceder as pressões americanas e mudar de lado, declarando guerra à Alemanha Nazista, enviando soldados para lutarem pelo lado Aliado. Enquanto isso, no sul do país, as colônias alemãs, que não tinham ligação nenhuma com o insano líder alemão, tiveram de enfrentar muitas dificuldades e sofreram muita repressão. Havia muito medo e reclusão; falar a língua da antiga pátria poderia significar uma sentença de prisão e uma sessão de maus tratos, por parte da polícia política da época, pois o ditador Getúlio Vargas havia proibido o falar das línguas italiana e alemã, países dominados pelo Fascismo e pelo Nazismo, respectivamente, considerando crime de traição à Pátria. Muitos idosos, descendentes de alemães, não sabiam falar nenhuma palavra na Língua Portuguesa, acostumados a vida nas colônias, mantendo contato apenas entre os seus.

Uma geração inteira sofreu com a perda do contato com a língua de seus antepassados, uma riqueza cultural que voltou a ser valorizada muitos anos após o fim da Segunda Grande Guerra.

Até a década de 30, as crianças freqüentavam a escolinha que havia depois do culto dominical, onde estudavam textos bíblicos, liam e escreviam na língua alemã. Após, iam à casa do 'opa' e da 'oma' (vô e vó), pedir a 'benção' e depois comer o 'Apfel Kuchen' (Cuca de Maçã) ou os 'Waffel' (tipo de panqueca) com uma xícara de café, preparada especialmente pela 'oma'.

Entre os imigrantes alemães era hábito festejar acontecimentos como a boa colheita, o término da construção da nova casa u do celeiro, o nascimento de um filho ou a chegada de um novo membro da comunidade. Nessas ocasiões, a Cozinha Colonial fazia a delícia de todos com a 'Riebellesuppe' (sopa dae massa ralada) os 'Grossmuters Lebkuchen Von 1850' (Pão de Mel da vovó desde 1850) e os diversos tipos de carnes, assadas no forno de barro.

Na vida rotineira pacífica, os imigrantes germânicos sempre transmitiram hábitos, costumes e seu folclore na ruidosa alegria dos 'Kerbs' (festas prolongadas) e das festas religiosas. Também simpatizaram e tomaram emprestado o hábito de tomar Chimarrão, comer Churrasco e outros costumes gaúchos prazerosos, como gosto pela música alegre, para dançar e se divertir.

Os alemães também eram 'Handwerker' (artesãos), que trabalhavam a madeira, o ferro, o couro e as fibras. Muitas fábricas de hoje iniciaram com o artesanato. As mulheres continuam até hoje com um trabalho junto às igrejas, fazendo bordados, tricô, ovos de Páscoa e, inclusive existe a OASE - Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas - que funciona junto à Igreja Sinodal, com reuniões às quartas-feiras.
Na década de 20 e 30, a Família Kreische promovia sessões de cinema mudo, com música de piano e outros instrumentos, ao vivo. No ano de 1950, o maestro Frederico Schubert fundou a Orquestra de Concertos de Erechim.

O Centro Cultural foi fundado no dia 25 de julho de 1952 e tinha finalidade proporcionar ao associados conhecimentos abrangentes da cultura do Brasil e facilitar aos imigrantes e seus descendentes, um entrosamento com a nova cultura e também preservar costumes e tradições. Foram sócios-fundadores: Léo Neuls; Gustavo Bofinger; Hannes Gutschwager; Christiano Thöming; Francisco Goldschmidt; Christiano Hafner; Rudolfo Giesel; Augusto Konopatzki; Benno Hachmann; Kurth Thulke; Ludovico Bühringer; Bernard Gutschwagen; Francisco Koller; Otto Eduardo Muller; Arthur Sperger; Carlos Niederberger; Alfonso Krüger; Carlos Fünfgeld; Adolfo Marquardt; Paulo Veingen e Germano Korf. O primeiro presidente foi Frederico Goldschmidt.

No dia 2 de junho de 1978, o Clube cedeu o imóvel à Prefeitura de Erechim e no dia 30 de abril de 1983, Dia do Município, o então prefeito Jaime Lago, inaugurava o Centro Cultural 25 de Julho, nome em homenagem à Imigração Alemã.
A Imigração Alemã ajudou a cidade de Erechim a ser importante por meio de muito trabalho, dedicação e amor. Deve-se muito aos Imigrantes alemães que ajudaram a edificar o progresso, sempre marcado por três presenças constantes: a Torre, a Chaminé e a Flor ('Der Turm - Der Schrnstein und Die Blume').

Citação em alemão:
'Wenn menschen beschhliessen, unter uberschreitung der selbst gesetzen grenzen auszuwandern, um ein bessere schickal zu finden, und bei beweissdafür, dass in unserer velt auch platz für, liebe ist und nicht nur fur hass und zwist.'

Tradução:
'Quando o homem, rompendo as fronteiras que ele próprio convencionou, decide partir em busca de uma vida melhor e, ao chegar, é recebido como irmão, está provando que nosso mundo também pode ser feito de amor, não somente de ódios ou dissensões.'

 

Fotografias gentilmente cedidas pelo Sr. Willy Stein, mostrando os primeiros alemães e suas atividades em Erechim:

 

1ª Missa em Erechim antes da década de 30 na Avenida Maurício Cardoso

 

 

1ª Igreja Sinodal de Erechim em construção no mesmo local de hoje

 

 

Membros da Igreja Sinodal no Rio Cravo - 1931

 

 

Sede dos Cantores Alemães - hoje Rua Itália, esquina com Rua Gaurama - o Waldescruss - 1931

 

 

Sede dos Cantores Alemães numa apresentação - Bandeira Brasileira e Alemã

 

 

Clube de Ginástica da Família Kreische na sede onde é hoje a |Igreja dos Mórmons

 

 

1932 - No Rio Cravo - Grupo de Teatro do 'Club Germânia'

 

 

1931 - Casa Alemã em Três Arroios - antigamente Erechim

 

 

Grupo de Equitação em Rio Novo - hoje Aratiba, antes, Erechim

 

 

1934 - Instalação do Consulado Alemão - local onde hoje é o Plaza Imigrante, na Avenida Maurício Cardoso

 

 

O primeiro Clube Germânia de Erechim, no local onde é hoje o Clube Caixeral

 

 

Festa no interior do primeiro Clube Germânia - observar a decoração do interior

 

 

Década de 40 - Senhoras da Associação da Igreja Sinodal

 

 

1953 - Festa Nacional do Trigo - em 1º plano, o Sr. Willy Stein

 

 

1966 - Festa das Nações em Erechim com a réplica de uma casa em estilo Enxaimel típico alemão

 

04.08.2004

 

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Fonte: Daubi Piccoli -www.daubi.jor.br
 Assessoria de Comunicação


 

 

 

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