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SAÚDE
Hospitais
filantrópicos podem reduzir leitos devido à falta de recursos
Os 239 hospitais filantrópicos gaúchos não descartam a possibilidade de reduzir o número de leitos a pacientes do Sistema Único de Saúde e do Instituto de Previdência do Estado.
A defasagem nas tabelas do SUS e a dívida histórica do IPE com as instituições têm agravado a crise financeira desses hospitais, que são responsáveis por 70% dos atendimentos do Sistema. Também atendem cerca de 600 mil dos quase um milhão de usuários do Instituto de Previdência.
Desde a implantação do Plano Real, em junho de 1994, as tabelas do SUS tiveram
reajuste de 40%, enquanto outros indicadores sofreram aumentos superiores (IGP-M
= 355% e o preço dos medicamentos = 200). Durante esse período, o custo dos
hospitais subiu 315%.
Os representantes dos hospitais filantrópicos já participaram de inúmeras reuniões com o governo federal, que resultaram em poucos avanços. O governo propõe reajustes para um pequeno número de procedimentos, cuja repercussão financeira no faturamento mensal não resolve o problema dos hospitais.
Os atrasos nos repasses do Integrasus também contribuem para o aumento das dificuldades financeiras.
Com relação ao Estado, o Executivo havia garantido, no início deste ano, que
efetuaria o pagamento das parcelas pendentes do Projeto Parceria Resolve
referentes a 2003 até abril e que as parcelas deste ano seriam repassadas a
partir de maio.
No entanto, duas parcelas do ano passado ainda não foram quitadas e os pagamentos dos contratos de 2004 foram transferidos para o fim do primeiro semestre.
No caso do IPE, apesar dos avanços nas discussões da reforma previdenciária,
o Instituto não quitou a dívida de mais de dois anos com os hospitais e está
repassando menos de uma fatura por mês. Também não concede reajuste à tabela
de procedimentos há mais de três anos.
Com o intuito de encontrar uma solução para a crise, a Federação das Santas
Casas e Hospitais Filantrópicos do RS e o Sindicato dos Hospitais Beneficentes,
Religiosos e Filantrópicos do Estado estão programando encontros
regionais.
O objetivo é buscar a união de representantes dos hospitais, prefeitos e coordenadores de saúde, inclusive com maior participação dos municípios no financiamento das instituições.
Na próxima sexta-feira, dia 30, as diretorias das duas entidades estarão
entregando na Secretaria Estadual da Saúde e no IPE documentos com
informações sobre a crise dos hospitais filantrópicos gaúchos e cobrando uma
solução imediata para a falta de recursos.
Posteriormente, haverá reunião dos dirigentes do setor para definirem ações futuras.
Em nível federal, representantes de hospitais filantrópicos de todo o País
estiveram reunidos na última sexta-feira, dia 23, em Águas de Lindóia (SP),
quando lançaram um movimento nacional de luta por reajuste nas tabelas do
SUS.
A mobilização deverá congregar todas as representações do setor (prestadores de serviços e profissionais), na busca de estratégias que serão desenvolvidas em cada Estado para sensibilizar o governo a liberar recursos.
O movimento se encerrará no dia 26 de maio, em Brasília.
29.04.2004
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Fonte: CopyDesk
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