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Francisco Basso Dias*
O Pum...que
valeu o Céu
O sujeito chegou para o outro e disse: cara, você conhece
aquela do alemão, do italiano e do brasileiro? A resposta foi negativa.
É muito engraçada - disse. Preste atenção. Houve um acidente e
morreram os três. Chegando á porta do céu, lá estava o grande e
venerável São Pedro com as chaves do paraíso e o volumoso livro da
vida. Nele, constam os registros dos humanos na terra.
Os pecados mais graves estavam apontados em letras
garrafais e em vermelho destacado, as demais faltas em tinta preta comum.
Ignorando a presença do chefe do céu, os três penetraram na
ante-câmara. Dois anjos que alí montavam guarda, barraram os ilustres
visitantes dizendo-lhes que, para penetrar no recinto deveriam, primeiro,
passar pelo crivo de São Pedro. Sem ele, em hipótese alguma, teriam
ingresso no céu. E lá foram os três conversar com o chefe. Ao fazer a
busca sobre o passado das três almas, São Pedro constatou que tanto um
como outro estavam mais sujos do que pau de galinheiro. Como conciliar,
já que os falecidos exigiam seu ingresso no céu? O brasileiro, criativo
como sempre, para não prolongar mais a confusão, já que começava se
formar uma longa fila de outras almas que também pretendiam o céu,
propôs:
-São Pedro, façamos o seguinte. Tudo o que pedirmos e nos for alcançado
iremos para o inferno, caso contrário o ingresso no céu nos será
permitido.
-Combinado - aceitou o Santo.
O primeiro a pedir foi o alemão. Lembrou da antiga
Bavária e largou: "eu quer um chopps". Com um gesto de mágica,
São Pedro ergueu a mão e alcançou-lhe um geladíssimo caneco de chopp,
que após tomado, foi para o inferno. O italiano, não deixou por menos.
Foi logo pedindo uma pitza calabreza acompanhada de um copo de vinho tinto
seco de finas castas. Repetiu-se o gesto. E o gringo foi fazer companhia
ao alemão.
O brasileiro, criativo como ninguém, com muito medo e
percebendo que não havia a mínima chance de vencer o poderoso santo das
chaves do céu, deixou escapar um "pum". Ficou corado de
vergonha. Mas, súbito, inesperadamente largou: "pinta este de
verde".
Você certamente já imaginou o que aconteceu. O
brasileiro ganhou o céu. Moral da história: sempre há um jeitinho para
surpreender e conquistarmos os nossos objetivos. Aliás, o tal jeitinho,
é muito comum na vida pública. Já foi mais utilizado. Mesmo assim,
ainda há hoje os que tentam buscar influência política junto a
tribunais para que os desembargadores e juízes apressem suas decisões;
os que pedem para tirar multas de trânsito, e tantas outras facilidades.
Tudo isto faz parte da cultura do brasileiro, a gente entende. Mas,
espera-se que um dia esse tipo de comportamento mude.
01.03.2005
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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