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Francisco Basso Dias*
O
Privilégio de ser Ladrão...
Existem fatos que ocorrem no Brasil que, sincera mente,
não consigo mais entender. Traficante, ladrão, sonegador, receptador,
fraudador, estelionatário, assaltante, são profissões bastante
rendosas. Algumas delas têm até estatuto, cegamente obedecido por grupos
associados. E ai de quem não cumpre. No mundo do crime organizado é
assim. A lei do mais forte ainda funciona.
De acordo com os nossos Códigos e Leis é diferente.
Ladrão, sonegador, assaltante, estuprador, bandido, criminoso com o
beneplácito dos Direitos Humanos, cumprem suas penas (quando cumprem)
dando cestas básicas, realizando trabalhos para a comunidade, e assim por
diante.
É um contra senso, mas é uma realidade. Hoje, não há
vantagem ser honesto, cumpridor de deveres e obrigações, decente, digno,
fiel, íntegro, limpo. Sabe por que? Porque, os nossos códigos são
ultrapassados, as penas são muito brandas e o nosso sistema está
corrompido.
O Jornal de Brasília, publicou na última terça-feira
(08/03) página 21, uma reportagem com a seguinte machete:
"FRAUDADORES DO INSS REINTEGRADOS AOS CARGOS". A alegação é
que a demora na formalização dos processos beneficiou os acusados, e por
isto, retornaram ao trabalho. Tudo numa boa.
A fraude soma R$ 10 milhões, só numa agência da
Previdência de Ceilândia, no entorno da capital da República. E
ninguém no Ministério da Previdência - pelo menos até o momento em que
escrevíamos esta matéria - forneceu esclarecimentos sobre o fato. Não
há quem fale. Nem a assessoria de imprensa do ministério; nem a
ouvidoria-geral do INSS, e, muito menos a delegada-chefe da Divisão de
Repressão aos Crimes Previdenciários da Polícia Federal, responsável
pela coordenação das ações de combate às fraudes, comentaram sobre a
perversão. A informação que temos é que o Ministério Público Federal
vai citar o INSS pedindo imediata adoção de providências.
Desde 2003 até fevereiro último, 46 servidores públicos
foram presos envolvidos em golpes à Previdência. Grande parte dessas
pessoas foram postas em liberdade pela Justiça após cumprirem prisão
preventiva. De acordo com os procuradores que investigam a ausência de
punição a alguns servidores do INSS envolvidos em escândalos, o retorno
ao trabalho dos acusados significa um grande constrangimento para os
demais servidores. Coitado dos aposentados! São cerca de 40 milhões de
pessoas lesadas diariamente. Já notou, dificilmente alguém vai para a
cadeia, isto é, para a cadeia são levados, mas permanecem por poucos
dias, até que se cumpram os interstícios da lei, conforme o delito
praticado, e ainda retornam aos seus postos.
A Lei deveria ser mais dura para esses crimes que citei se
não, fica cada vez mais difícil continuarmos sendo bons, honestos etc. A
impunidade, que já se tornou uma praxe no Brasil, é o maior dos
incentivos para tornar-nos corruptos também.
O sistema está degenerado.
Observe que dado fantástico: as fraudes que acontecem no
sistema previdenciário brasileiro são estimadas em 5% dos recursos
arrecadados e que vão parar nas mãos dos fraudadores. Só isto dá uma
idéia do furo. Considerando que o valor reunido em 2003 foi de R$ 86,5
bilhões, de acordo com o anuário estatístico divulgado pelo site da
Previdência, o rombo pode ultrapassar os R$ 4 bilhões ao ano, o que
representa duas vezes os valores destinados para fins de reforma agrária
no País.
O relatório aponta, ainda, que os principais motivos que
levam o sistema previdenciário a ser um alvo tão frágil para fraudes,
estão a má-gestão da Previdência e, principalmente, a falibilidade dos
sistema. Precisamos urgentemente enquadrar e punir com maior rigor essa
gente, para não contaminar o que ainda resta da população ainda
insubornável e íntegra.
13.03.2005
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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