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Francisco Basso Dias*
Estatuto
do Desarmamento
"Quem mata são os homens, não suas espadas ou seus
mísseis"
Papa João Paulo II.
O Estatuto do Desarmamento que está em vigor desde 2004
é uma verdadeira utopia. Desarma pessoas de bem e, ao mesmo tempo,
permite que os bandidos continuem armados com a anuência do Estado. Não
se vê nenhuma ação governamental nesse sentido. Eu lembro que numa
entrevista que fiz com o deputado mineiro Ibrahim Abi-Ackel, no ano
passado, na época em que a Câmara discutia o Estatuto do Desarmamento,
ele já dizia que era inócuo e que não iria surtir o efeito que os
desarmamentistas desejavam. Foi muito categórico nas suas afirmações.
Ninguém quer saber desse Estatuto. Só os filósofos (de araque) é que
defendem a idéia de que a população desarmada, não comete crime. E os
bandidos, quem os desarma? O governo?
Há...há...há... O Estatuto do Desarmamento prevê um
referendo popular, no qual o povo será chamado a opinar no mês de
outubro sobre a proibição ou não da venda de armas no País. Quer saber
meu voto? Sou a favor da venda a pessoas de bem, que estejam preparadas,
com porte, tudo de acordo com o figurino. Pois, do contrário, é retirar
o direito constitucional à legítima defesa. Se a polícia não pode
garantir a segurança de todos os cidadãos o tempo todo, como exercer a
legítima defesa contra criminosos armados?
Os próprios autores reconhecem que a lei não visa
promover o desarmamento dos criminosos. Ela foi inspirada na fé de que a
simples redução das armas poderia ter impacto sobre a taxa de
homicídios por reduzir a disponibilidade de instrumentos para o crime -
como se os marginais fossem se deter pela simples supressão de armas
legais no País. Conversa fiada.
Os dados não corroboram com esse raciocínio. A taxa de
homicídios e o número de armas vendidas legalmente no Brasil demonstra
que enquanto a quantidade de armas comercializadas caiu de 54.445 em 1980
para 23.291 em 2000, os crimes de homicídio pularam de 9,4 por 100 mil
habitantes em 1979 para 26 em 2000. Em números absolutos, os homicídios
aumentaram de 10 mil para 40 mil por ano.
Veja o dado a seguir do professor José Moacir Favetti,
Mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina: Nos Estados
Unidos onde em mais de 50% das casas há armas, apenas 13% dos ladrões
agem com os moradores em casa. Em compensação, na Inglaterra, com os
cidadãos desarmados, 50% dos ladrões entram nas casas enquanto os
moradores estão dentro. Acrescenta o Mestre: "de posse desses dados,
fica claro que não é possível afirmar que a simples diminuição na
venda de armas legais é importante para reduzir os homicídios. Claro que
precisa haver um controle, mas a regulamentação da compra e do porte já
existia no Brasil na legislação anterior ao desarmamento". Portanto
quando outubro vier, vote não a desarmamento. Porque nos moldes em que
está sendo feito é a garantia para os marginais de que só eles estarão
armados contra uma sociedade indefesa.
15.03.2005
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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