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Francisco Basso Dias*

 

A Vitória do Severino

Participei da festa promovida para homenagear Severino Cavalcanti depois da vitória de seu nome para a presidência da Câmara dos Deputados no aprazível Porto Vitória, uma das mais belas casas de eventos de Brasília. Lá compareceram os que votaram nele como, também, os petistas de cruz na testa: professor Luizinho, Arlindo Chináglia, líder da bancada do PT, além de outros não menos importantes líderes partidários, que não lhe deram o seu voto. 

Foi um encontro de confraternização onde, mais uma vez, percebeu-se o carisma e a simpatia de Severino. Pernambucano de 74 anos, sem formação universitária, 40 anos de vida pública, católico fervoroso e chefe de família irretocável, prefeito de sua cidade natal - João Alfredo. Portanto, um exemplo de cidadão. Com estas características que assinalam a sua personalidade, não poderia ter sido outro o resultado, senão o da vitória. Seu adversário, José Carlos Greenhalgh do PT de São Paulo, teve contra si a soberba e o autoritarismo que o governo vem adotando em relação aos partidos políticos. 

O governo colheu o que plantou nesses dois últimos anos. Aliás, o próprio candidato oficial reconheceu publicamente que a derrota de sua candidatura significou uma perda para o governo. " O voto que me me derrotou foi o voto da insatisfação com o governo pelo tratamento dado aos parlamentares", desabafou. 

Na verdade, Lula não prestigiou á altura o parlamento, ignorou-o, fez pouco caso, inchou o Congresso de Medidas Provisórias, tirando a chance dos deputados apresentarem seus projetos de lei, pois apenas 11 de origem parlamentar foram apreciados. 

O PT semeou ventos e acabou colhendo tempestade. Nem mesmo a barganha, a negociação sórdida deu resultado. Essa de dizer que houve traição é pura balela. 

O que houve mesmo foi insatisfação da própria base governista, que cansada de esperar pelas promessas não cumpridas, deu a resposta inesperada. Lula tripudiou demais o Legislativo.

Cabe agora ao presidente e seus líderes revisarem a estratégia de seu governo e buscar novas formas de agir junto a Câmara, caso contrário, o seu projeto de reeleição e futuro político, ficam sensivelmente comprometidos.

23.02.2005

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*Francisco Basso Dias

Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à categoria

francisco.dias@camara.gov.br

 

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