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Francisco Basso Dias*
Câmara
vai apreciar a "Tsumani" fiscal do Governo
A classe média, mais uma vez, vai ser chamada a pagar a
conta do reajuste de 10% na tabela do Imposto de Renda. Quando o governo
do PT reajustou a tabela calculou que deixaria de arrecadar cerca de R$
1,8 bilhão, mas ao fazer a alteração pela segunda vez, as regras de
cobrança de impostos para as empresas prestadoras de serviço, aumentou a
carga tributária em até 30%, com a expectativa de recolher a irrisória
soma de R$ 2 bilhões. Houve, portanto, nessa sua matemática, um troco de
R$ 200 milhões.
É por isto que todos estão se insurgindo contra a Medida
Provisória 232 com flagrante possibilidade de desestabilizar muitas
pequenas empresas que, mesmo assim, geram muitos empregos.
O governo PT teria que se esmerar em gerar empregos, e
não criar impostos. Num país onde se edita uma nova norma tributária a
cada meia hora, conforme ilustra estudo do Instituto Brasileiro de
Planejamento Tributário não há quem agüente este inferno, pra não
dizer outra coisa.
O prezado leitor sabia que nos últimos 16 anos nasceram
127.338 novas regras só no âmbito federal? Somadas todas as medidas
federais, estaduais, municipais no período, temos 3,3 milhões de normas.
E a conseqüência desse cipoal de impostos, taxas e contribuições é
que cada brasileiro deu ao Leão do Imposto de Renda R$ 3.589,00 no ano
passado, conforme o mesmo IBPT- Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário.
Significa dizer que cerca de 40% da renda per capita do
brasileiro virou imposto. Isto tudo precisamos entender para protestar
contra a MP 232 que os congressistas deverão discutir e votar na
reabertura dos trabalhos legislativos, a partir do dia 14 de fevereiro
próximo.
Vou mais além: essa medida de arrocho contra os
contribuintes da classe média é como o "tsumani", que acabou
com vários países do continente asiático, indicando que o governo do PT
promove a política do empobrecimento, através do confisco da renda do
trabalhador. Se o governo tivesse escolhido o caminho da criação de
empregos, como prometeu em 2002 - 10 milhões de postos de trabalho em
quatro anos - o aumento de arrecadação seria uma conseqüência
saudável.
Mas não, o governo, ao contrário, quer resolver o
problema de caixa à custa do empobrecimento da população. Imposto é
bom para quem precisa financiar uma máquina pública inchada, pela
indústria do cabide de emprego - em franca expansão - destinada a
atender aliados de todos os escalões da República; do derrotado na
eleição que virou ministro ao ex-segurança transformado em
burocrata.
Onde está o combate a corrupção e aos grandes
sonegadores? Estas coisas a população não pode esquecer daqui há dois
anos.
Assisti e repasso ao leitor alguns trechos de uma entrevista do senador
Cristovam Buarque (PT) sobre a política econômica do governo Lula, que
pediria sua atenção. Ele enfatiza que a diferença, da esquerda, deve
estar na política orçamentária e não na política econômica.
O senador fala também sobre as políticas sociais e
afirma que o governo e o próprio PT têm por finalidade distribuir um
pouco de renda, e não fazerem uma transformação social. "Acho
lamentavelmente que o governo está indo para a direita nas políticas
sociais, transformadas em assistenciais, no exercício da política, pelas
alianças, e na substituição de quadros de esquerda por quadros de
direita.
Regredimos em alguns casos, ao juntarmos Bolsa-escola, um
programa educacional, com Bolsa-alimentação e Vale-gás, programas
assistenciais", afirmou.
Ora, quando eles mesmos falam assim, o que se pode dizer
mais!
02.02.2005
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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