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Francisco Basso Dias*

 

Sonho, apenas sonho

Quando era pequeno, tinha lá meus oito ou dez anos, ouvia dizer muitas coisas pelos mais velhos. Primeiro, que sem estudo não seriamos ninguém na vida. 

Hoje a gente estuda, se forma e não encontra emprego. Que, o mundo acabaria no ano 2000, pois segundo os antigos havia uma previsão em italiano que dizia: "mila, non piú mila". Já estamos quase em 2005, portanto, já virou o milênio e o mundo continua, é bem verdade mais violento, mais em tudo. 

Vivemos de sonhos e devaneios. Um sonho que está custando a se realizar é o do Brasil conquistar uma vaga no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Desde o presidente Arthur Bernanrdes que o governo sonha com essa vaga. Para ocupar o lugar, tamanho não é documento. 

Os argumentos de que o Brasil tem o maior território e a maior população da América Latina, não lhe garantem ser ele o dono de uma das vagas permanentes. O país é qualificado, não há dúvida. Mas, a sua participação ainda é muito tímida em indicadores que demonstrem influência, como, por exemplo, responder apenas com 0,8% do comércio mundial. 

O México, se acha com mais direito. Dizem os mexicanos terem a língua que domina a maioria dos países e o seu Pibe é maior. É desde 1924 que o Brasil sonha com essa cadeira no Conselho de Segurança da ONU. Mas só sonha. Chegar lá, já que existem outros países que também disputam a mesma vaga, não é fácil. 

Concordo com o professor de Relações Exteriores da UB - Universidade de Brasília, Virgilio Arraes, quando diz: "Valeria mais a pena conquistar cargos relacionados a temas que realmente nos interessam, como a Diretoria da FAO, a organização da ONU para a agricultura e alimentação, do que tentar o Conselho de Segurança.

Formam o Conselho 15 membros, dos quais 5 permanentes e 10 não permanentes. Os cinco membros permanentes, são a República Popular da China, a França, a Federação Russa, o Reino Unido e os EUA. Registra a história que, o presidente norte-americano, Franklin D. Roosevelt, teria sugerido o Brasil para integrar a relação, proposta vetada pelo então primeiro-ministro inglês, Winston Churchill, que considerava o país um estado cliente dos EUA.

Todavia, a fórmula da modificação é altamente controversa, porque muitos países tem ambição a uma situação de maior poder relativo. Destes, afirmam-se como candidatos naturais a uma elevação a Alemanha, o Japão, o Brasil, a Índia e a África do Sul. 

Devido às dificuldades na definição de uma fórmula que alcance uma convincente maioria dos estados membros e a unanimidade dos componentes do Conselho de Segurança, o Secretário Geral da ONU, em novembro passado, nomeou uma comissão de 16 membros para estudar a questão. 

Estes trabalhos, ainda são aguardados com ansiedade pela comunidade internacional. Enquanto isto o Brasil sonha e espera acordar com a sua inclusão no Conselho de Segurança da ONU.

09.12.2004

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*Francisco Basso Dias

Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à categoria

francisco.dias@camara.gov.br

 

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