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Francisco Basso Dias*
PT
e PMDB juntos
A imprensa está dando destaque para uma notícia que vai
ser difícil de ser digerida pelos peemedebistas gaúchos. Como em
política tudo é possível, não é de se admirar que PT e PMDB grandes
rivais no Rio Grande do Sul, acolherem-se como em outros estados, para a
reeleição de Lula e Rigotto em 2006. É o próprio Lula quem sugere: o
PT não lança candidato e apóia Rigotto em troca do apoio a ele, Lula,
para a presidência, concorrendo com um nome do PMDB a vice.
Esta revelação saiu depois de uma reunião entre o
presidente e o prefeito de Goiás, Iris Rezende (PMDB) que é quem está
por detrás das negociações.
A aliança nacional já estaria acertada - segundo o
prefeito goiano - o que iria render para os peemedebistas além da
vice-presidência mais cinco estados nos quais o PT estaria disposto a
abrir mão da cabeça de chapa para 2006. São eles: Pará, Paraná, Santa
Catarina, Paraíba e Goiás. Além disso, também ficou acertado entre as
cúpulas partidárias que as diferenças consolidadas entre PMDB e PT de
Brasília, através de Joaquim Roriz e do Rio Grande do Sul, através de
Germano Rigotto, não irão atrapalhar a realização do casamento
confirmado para o pleito de 2006. Ou seja, tanto o PT quanto o PMDB, irão
respeitar as diferenças políticas entre esses dois estados, para não
romper o objetivo maior - o PT está disposto a firmar qualquer tipo de
acordo que renda votos para a reeleição de Lula. A verdade é que as
alianças para 2006 em Goiás estão definidas. A consolidação depende
apenas de Lula.
Por outro lado, há uma outra notícia que saiu nos
jornais aqui de Brasília.
O presidente Lula afirmou que ao deixar o cargo vai
"voltar ás suas raízes", retornando a São Bernardo do Campo
(SP), onde toda sua vida profissional e política começou, como também
intensificando sua convivência com os movimentos sociais. Esse mesmo
desejo ele manifestou num acampamento do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra, no interior da Bahia. "Eu tenho nítido na minha
cabeça que eu, quando terminar o meu mandato, vou voltar a São Bernardo.
Vou ficar a 600 metros do Sindicato dos Metalúrgicos, onde tudo começou
na minha vida. Vou ter convivência com os movimentos sociais que são a
base da minha formação política. Palavras de Lula.
É de se perguntar: se é seu desejo retornar de onde começou, nos
movimentos sociais, por que antes não soluciona os problemas na área
enquanto presidente?
Porque não acaba com o CPMF que era um plano emergencial
para consertar o setor de saúde e passou a ser perpétuo? Por que não
implanta a reforma agrária que tanto alardeou? Por que a exorbitância de
Medidas Provisórias que o têm notabilizado exatamente pelo mesmo
comportamento do governo FHC? Em meio a tudo isto, conclui-se, de fato,
que o governo se excede na edição de MPs, se atrapalha quando fala, e
não é coerente com o discurso que o levou ao mais alto posto da
República. Eu quero ver agora como o Presidente vai se sair com os
laboratórios estrangeiros, que acenam com uma violenta pressão
(econômica), caso as farmácias comecem a vender remédios fracionados,
segundo o decreto assinado e publicado no Diário Oficial da União, nesta
última quinta-feira (20.01).
Vem aí chuvas e trovoadas.
28.01.2005
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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