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Francisco Basso Dias*
Prisão
Perpétua
Este é um tema polêmico
que ninguém gosta de tratar com receio de se
expor, sofrer a contra-crítica, enfim; acha que
ficar acomodado é melhor.
Mas não é assim.
Precisamos começar a nos preocupar
com o aumento da violência e fazer alguma coisa
já que o governo se mostra impotente para tal.
Tem muita gente que não aprova a pena de morte
(que deveria existir para os crimes hediondos) e a própria
prisão perpétua, porque entende que tais
propostas estariam na contramão da moderna criminologia,
a qual prevê a redução das condenações
e a aplicação de penas alternativas para
os delitos de menor potencial.
No regime democrático, onde
impera a vontade da maioria, respeitados os direitos
das minorias, a sociedade não pode viver refém
de uma minoria anti-social, que mata, estupra, assalta,
seqüestra e violenta suas vítimas sem piedade,
como fez recentemente Bernardino do Espírito
Santo, o jovem caseiro que em companhia de sua namorada,
assassinou de forma violenta uma moça de classe
média alta em Brasília, e o maníaco
do Parque, em São Paulo, fatos que chocaram a
opinião pública brasileira. E o que é
pior, sem remorso; sem o mínimo de sentimento.
Mataram pelo prazer de matar.
A sociedade brasileira precisa ter
coragem de romper com certos princípios anacrônicos
das leis penais para melhor se proteger. Sem ferir os
direitos fundamentais do ser humano, é preciso
segregar para o resto da vida indivíduos com
esse desvio de comportamento. Ou a sociedade acha que
quem age assim, com todos esses requintes de crueldade,
ainda há esperança de que um dia poderão
ser recuperados?
Está mais do que provado que
o sociopata ou psicopata mata por prazer. É convicção
entre os psicanalistas, que a sociopatia não
tem cura. Por isto, não faz sentido libertar
estes criminosos para que voltem a matar e estuprar
vítimas indefesas. Só há uma forma
de evitar que eles voltem a matar, estuprar...segregando-os
para sempre, para não dizer, fazê-los passar
pelos mesmos processos de violência a que submeteram
suas vítimas. Nem mesmo a neurolingüistica
ou a neuroteologia conseguem ressocializá-los.
É tempo perdido. Um indivíduo
sociopata, é uma personalidade anti-social, criminosa,
assassina. A DSM-IV, o importante manual de diagnóstico
usado por psicólogos e psiquiatras, define a
sociopatia como "distúrbio da personalidade
antisocial" e lista suas principais características,
que podem ser facilmente reconhecidas em indivíduos
afetados.
A Organização Mundial
de Saúde também definiu sociopatia em
sua classificação de doenças usando
o termo "distúrbio da personalidade dissocial".
Os sociopatas são caracterizados
pelo desprezo ás obrigações sociais
e por uma falta de consideração com os
sentimentos dos outros. Eles exibem egocentrismo patológico,
emoções superficiais, falta de auto-percepção,
pobre controle da impulsividade (incluindo baixa tolerância
para frustração e limiar baixo para descarga
de agressão), irresponsabilidade, falta de empatia
com outros seres humanos e ausência de remorso,
ansiedade e sentimento de culpa em relação
ao seu comportamento anti-social.
Eles são geralmente cínicos,
manipuladores, incapazes de manter uma relação
e de amar. Eles mentem sem qualquer vergonha, roubam,
abusam, trapaceiam, negligenciam suas famílias
e parentes, e colocam em risco suas vidas e a de outras
pessoas.
O pesquisador canadense Robert Hare,
um dos maiores especialistas do mundo em sociopatia
criminosa, os caracteriza como "predadores intra-espécies
que usam charme, manipulação, intimidação
e violência para controlar os outros e para satisfazer
suas próprias necessidades. Em sua falta de consciência
e de sentimento pelos outros, eles tomam friamente aquilo
que querem, violando as normas sociais sem o menor senso
de culpa ou arrependimento."
Os sociopatas são incapazes
de aprender com a punição, e de modificar
seus comportamentos. Quando eles descobrem que seu comportamento
não é tolerado pela sociedade, eles reagem
escondendo-o, mas nunca o suprimindo, e disfarçando
de forma inteligente as suas características
de personalidade. Por isso, os psiquiatras usaram no
passado o termo "insanidade moral" para caracterizar
esta psicopatologia.
O indivíduo sociopata geralmente
exibe um charme superficial para as outras pessoas e
tem uma inteligência normal ou acima da média.
Não mostra sintomas de outras doenças
mentais, tais como neuroses, alucinações,
delírios, irritações ou psicoses.
Podem ter um comportamento tranqüilo
no relacionamento social normal e têm uma considerável
presença social e boa fluência verbal.
Em alguns casos, eles são os líderes sociais
de seus grupos. Muito poucas pessoas, mesmo após
um contato duradouro com os sociopatas, são capazes
de imaginar o seu "lado negro", os quais na
sua maioria é capaz de esconder com sucesso durante
sua vida inteira, levando a uma dupla existência.
O mais assustador é o fato
que entre 1 e 4% da população é
sociopata em maior ou menor escala. Claro, a maioria
das pessoas com DPA não é criminosa e
é capaz de se controlar dentro dos limites da
tolerabilidade social.
São considerados somente como
"socialmente perniciosos", ou têm personalidade
odiosas, e cada um de nós conhece alguém
que se ajusta a esta descrição.
Políticos corruptos e cínicos,
que sobem rapidamente na carreira, líderes autoritários,
pessoas agressivas e abusadoras, etc., estão
entre eles. Uma característica comum é
que eles se engajam sistematicamente em enganação
e manipulação de outros para ganhos pessoais.
De fato, muitos sociopatas não-violentos
e adaptados podem ser encontrados em nossa sociedade.
Um estudo epidemiológico registrou
que somente 47% daqueles que eram caracterizados como
tendo DPA tinham uma história de processo criminal
significativo.
Os eventos mais relevantes para estas
pessoas ocorrem na área de problemas de trabalho,
violência doméstica, tráfico e dificuldades
conjugais severas.
Muitas pessoas evitam indivíduos
com este distúrbio de personalidade porque eles
são irritáveis, argumentadores e intimidadores.
Seu comportamento freqüentemente é rude,
imprevisível e arrogante.
No entanto, apenas uma pequena fração
dos sociopatas se desenvolve em criminosos violentos,
estupradores e assassinos seriais. Em casos mais severos,
a doença pode evoluir para canibalismo e rituais
sádicos de tortura e morte, freqüentemente
de natureza bizarra.
Há um amplo consenso que estas
formas extremas de sociopatia violenta são intratáveis
e que seus portadores devem ser confinados em celas
especiais para criminosos insanos por toda a vida. Um
sociopata típico deste tipo foi retratado por
Dr. Hannibal "O Canibal" Lecter no filme e
livro "O Silêncio dos Inocentes".
Os Sociopatas violentos ocasionam um
alto preço para a sociedade humana. Eles podem
adquirir o status de líderes regionais ou nacionais
e sábios, tais como Adolf Hitler, Stalin, Saddam
Hussein, Idi Amin, etc.
Face a estas considerações
qual é a sua opinião? Gostaria de saber.
Aqui no Senado chegou a tramitar proposta
de emenda a Constituição que instituía
a prisão perpétua no Brasil, mas foi arquivada.
De acordo com o presidente da Casa,
senador José Sarney, o direito da pessoa humana
de não ser apenada com esse tipo de prisão
está incluído entre os direitos de garantias
individuais, razão pela qual o Senado não
prosseguiu com a tramitação da proposição.
A intenção de implantar
essa pena no país era de autoria do senador Ney
Suassuna (PMDB-PB).
21.03.2005
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro -
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