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Francisco Basso Dias*
Política
é arte de mentir e prometer
Não sei porque os governos não cumprem o que escrevem e
prometem nos seus programas eleitorais depois de eleitos!
A história da dívida pública do Estado do Rio Grande do
Sul é tão antiga quanto a da raposa e às uvas. Na eleição de Germano
Rigotto para o governo do RS, o candidato prometeu aos desprecatados
eleitores: "Incentivos na área tributária não incluirão, por
inconveniente e inoportuno, projetos destinados ao aumento de
impostos".
Na campanha de 2002, num daqueles tradicionais panfletos
que são distribuídos em profusão, há esta afirmação que acima
reproduzi.
A majoração de impostos é a forma mais simplista de
resolver um problema econômico.
Na minha casa, na sua casa, quando a despesa começa a se
aproximar do vermelho, o que se faz? Imediatamente os gastos supérfluos
começam a ser cortados. E assim deve proceder o governo. Mas, não. Não
se viu nenhuma medida de impacto que reduzisse as despesas, com a mesma
ferocidade com que foram majorados os índices das alíquotas da energia
elétrica, gasolina e telefones.
Foi mais fácil produzir um tarifaço - que a sociedade
reprovava - do que diminuir outras gorduras desnecessárias.
Quando Olívio Dutra era governador, quase caiu o céu no
dia em que ele anunciou a correção de alíquotas do ICMS, denominada de
"matriz tributária". Foi um Deus nos acuda.
Os que estavam a favor na época, hoje se manifestam
contrários (PT). E os que eram contrários, são hoje favoráveis
(PMDB...). Talvez essa atitude, teria custado a Olívio Dutra a não
eleição de seu substituto, Tarso Genro. Rigotto que ponha as barbas de
molho.
O governo alega que para suportar o gasto com a folha do
funcionalismo (76%) e prosseguir nos investimentos, pagar em dia os
aposentados e pensionistas, era preciso aumentar a fonte arrecadadora. Um
duro nos sonegadores não seria uma alternativa para melhorar as burras da
Fazenda?
A sonegação anual, no Estado, segundo cálculos dos
técnicos da Secretaria da Fazenda, ultrapassa R$ 1,5 bilhão. Daria para
o RS sair do atoleiro. Rever algumas isenções fiscais concedidas,
principalmente, aquelas sem correção monetária - herança do governo
passado - e exigir da União o pagamento do que deve ao Rio Grande, seriam
outras alternativas.
Enquanto ficamos nós, 11 milhões de gaúchos agoniados
com essa situação há, um silêncio sepulcral dos ministros gaúchos.
Não deram nenhuma palavra, nenhuma declaração de apoio ao que o Rio
Grande tem direito na área federal. Permaneceram de boca fechada, pois
quanto pior, melhor.
Se Rigotto errou em não manter a sua palavra escrita de
que não haveria o "inconveniente e inoportuno aumento de
impostos", também Lula não honra com os compromissos ao RS. E essa
obrigação é devida aos gaúchos que trabalham; às empresas que
produzem, cujos resultados estão demonstrados no seu quadro de
exportações. É o segundo estado da federação que mais exporta e, no
entanto, o mais penalizado por um verdugo indiferentismo
centralista.
O Rio Grande não está de chapéu na mão pedindo esmola,
está, sim, exigindo a devolução daquilo que tem direito. Como o eleitor
tem memória curta, vai esquecer até a eleição, aqueles que fizeram
dele um truão, um babaca eis o quadro da votação:
Bancadas aliadas
PP
Adolfo Brito.......................a favor
Frederico Antunes............a favor
Marco Peixoto...................a favor
Telmo Kirst........................a favor
Jair Soares.........................contra
João Fischer.......................contra
Pedro Westphalen...............contra
Volson Covatti....................contra
José Farret..........................contra
Jerônimo Goergen..............contra
PMDB
Elmar Schneider..................a favor
Fernando Záchia.................a favor
Jair Foscarini......................a favor
Janir Branco........................a favor
João Osório..........................a favor
Marco Alba..........................a favor
Maria Helena Sartori..........a favor
Marcio Biolchi.....................a favor
Nelson Harter......................a favor
PDT
Ciro Simoni..........................a favor
Giovani Cherini...................a favor
Osmar Severo.....................a favor
Paulo Azeredo.....................a favor
Adroaldo Loureiro...............contra
Floriza dos Santos................contra
Gerson Burmann..................contra
PSDB
Rui Pauletti.............................a favor
Sanchotene Felice..................a favor
PTB
Abílio dos Santos.....................a favor
Edemar Vargas........................a favor
Eliseu Santos............................a favor
Iradir Pietróski..........................a favor
Manoel Maria............................a favor
PL
Sérgio Pires................................a favor
PFL
Marlon Santos............................a favor
PPS
Cézar Busatto..............................a favor
Berfran Rosado.............................contra
Bernanrdo de Souza......................contra
Bancada de Oposição
PT
Adão Vilaverde..............................contra
Dionisio Marcon...........................contra
Edson Portilho..............................contra
Elvino Bohn Gass.........................contra
Estilac Xavier...............................contra
Fabiano Pereira...........................contra
Flávio Koutzi................................contra
Frei Sérgio....................................contra
Ivar Pavan....................................contra
Luis Fernando Schmidt................contra
Raul Pont.....................................contra
Ronaldo Zülke..............................contra
Sérgio Stasinski............................contra
PSB
Heitor Schuch..............................contra
PCdoB
Jussara Cony...............................contra
Total a favor.................27
Total contra..................26
Total..............................53
Por ser presidente, o deputado Vieira da Cunha, não vota e Paulo Brum
(PSDB) está em licença.
Como esta é a minha última opinião em 2004, desejo um
feliz Ano-Novo cheio de esperanças de um futuro melhor com prosperidade e
muitas realizações.
29.12.2004
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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