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Francisco Basso Dias*
Jornalismo
Sem Censura
"Jornalismo só pode ser exercido com total liberdade e, para
isso, é indispensável a crítica".
João Paulo Cunha
Presidente da Câmara dos Deputados.
Projeto de Lei do Executivo sobre a criação do Conselho
Federal de Jornalismo está para ser discutido e votado pela Câmara dos
deputados. Está comprovado que uma grande maioria não quer e desaprova
este instituto. A tentativa cíclica de se aventurar exercer controles
sobre mecanismos da imprensa sempre existiu.
Não é novidade, portanto. Se acreditarmos no que dizem
os presidentes do Senado e da Câmara, José Sarney e João Paulo Cunha, o
projeto deve ser arquivado no Congresso.
Embora se afirme que a intenção da proposta é dar maior
status à profissão de jornalista, o deputado João Paulo garantiu que
projetos ameaçadores da liberdade de expressão não terão êxito na
Câmara.
O engraçado de toda história é que o próprio
presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu compromisso
público na posse da diretoria da Associação Nacional de Jornais quando
manifestou: "a melhor receita para o vigor do jornalismo é, sem
dúvida, a liberdade". E nem assim o projeto foi retirado.
A história registra que em 1821, as Cortes Constituintes
de Portugal aprovaram as bases da Constituição, onde transcreveram a
liberdade de manifestação de pensamento. Já se passaram 183 anos, quase
dois séculos, portanto, e há quem queira voltar ao tempo em que os
jornais eram submetidos a censura prévia.
Em 1824, inspirada na Declaração dos Direitos do Homem e
do Cidadão, manteve-se o princípio da liberdade de imprensa. Em 10 de
dezembro de 1948, o Brasil subscreveu a Declaração Universal dos
Direitos do Homem, que estabelece em seu Art. 19: "Todo o homem tem
direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a
liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e
transmitir informações e idéias por quaisquer meios...". Não há
pessoas nem sociedades livres sem liberdade de expressão e de
imprensa.
O exercício desta não é uma concessão de autoridades,
é um direito inalienável do povo; toda a pessoa tem o direito de buscar
e receber informação, expressar opiniões e divulgá-las livremente,
seja qual for o veículo. Enfim, o que se espera do Congresso Nacional,
que ora está discutindo o projeto da criação Conselho Federal de
Jornalismo que reafirme todas essas garantias democráticas e
constitucionais de liberdade de expressão.
Afinal, não há democracia sem que todos os cidadãos,
indistintamente tenham plena e ampla liberdade de expressão e de
imprensa.
25.11.2004
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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