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Francisco Basso Dias*

 

Homem grávido recebe bolsa família

Poucos, muito poucos articulistas se posicionaram contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que o jornalista Diogo Mainardi, da Revista Veja.

No seu último artigo dedicado a Lula, o jornalista afirma: “enjoei de Lula. Não quero mais falar dele. Fico com perebas (é uma espécie de sarna, acaríase) na pele só de ver a cara ou ouvir a sua voz”.

Bota antipatia nisso! Nunca tinha lido ou ouvido nada igual a respeito do presidente. Mesmo considerando alguns exageros nas suas afirmações, Mainardi tem razão. Lula que é a estrela maior do PT eleito com a maior votação da história do país (52,4 milhões de votos); quebrando recordes de votação de todos os ex-presidentes brasileiros não consegue fazer deslanchar seus programas sociais que é, sem dúvida, a menina de seus olhos.

Veja-se por exemplo o que está acontecendo com o Bolsa Família. A intenção é boa, importante, mas na prática está sendo um desastre. A imprensa toda hoje (16/03) destaca que 286 mil beneficiados têm renda maior que a permitida. E o que é pior, entre estes, 47 homens grávidos e 134 amamentando.

Não é piada.

São informações inesperadas, folclóricas, como aquela do hospital que já teve registro de parto de homem. A irregularidade foi descoberta graças a um cruzamento de Cadastro Único com o banco de dados do Ministério do Trabalho.

Diante disso a gente fica a se perguntar: como pode isto acontecer? O governo não imaginava que o programa poderia ser furado.

O Bolsa Família é coisa séria e envolve bilhões de reais. Oficialmente o programa dispõe em seu orçamento para 2005, cerca de R$ 6,5 bilhões. Dá pra encher a barriga de muitos “brasileiros e brasileiras”. Estes descompassos nos programas de Lula é que dão margem às duras críticas que lhe são endereçadas.

Estou com Mainardi. E agora chega a notícia, segundo a qual, a Câmara dos deputados acaba de aprovar em primeiro turno a PEC Paralela da Previdência que retira das futuras viúvas 30% do valor da pensão de seus ex-maridos quando estes falecem. É um absurdo. Se de um lado permite aos trabalhadores de baixa renda se aposentar por tempo de contribuição e as donas de casa também se aposentar, percebendo um benefício de um salário mínimo, de outro, as pensões concedidas após 1º. de janeiro de 2004 continuarão a ser reajustadas pelo mesmo índice usado para os proventos pagos pelo Regime Geral da Previdência Social. Faltaram três votos para rejeitar essa proposta, já que a favor votaram 305 deputados e 94 contra.

Para derrubar o destaque era necessário o mínimo de 308 votos.

A mesma PEC paralela incluiu os delegados de polícia, os advogados e fiscais tributários dos estados e do Distrito Federal no subteto de 95,25% do subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os professores também foram prejudicados porque foi retirada do texto aprovado em julho de 2004 a permissão para que os de ensino superior das instituições públicas se aposentassem compulsoriamente aos 75 anos.

Pela Constituição, a aposentadoria compulsória de todos os servidores civis é de 70 anos.

Sou contra que outras categoria tenham seus ganhos a maior, mas, puxa vida, que as menores também possam ser contempladas com mais justiça. É o caso das viúvas do INSS.

Não está certo o que a bancada do PT e mais alguns deputados fizeram contra as futuras viúvas do INSS.

Acho que faltou sensibilidade de um grupo de parlamentares que sistematicamente são contra os aposentados. Não sei a causa. Um dia eles serão como nós no presente.


17.03.2005

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*Francisco Basso Dias

Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - 

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francisco.dias@camara.gov.br

 

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