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Francisco Basso Dias*
Falta
do que fazer
Tem deputados e deputados. Há os que, realmente, se
preocupam com o crescimento do País, com a vida dos brasileiros; batalham
para que a saúde atenda a todos sem traumas, sem filas; os que desejam
uma educação para a nossa juventude mais acessível, salário mínimo
digno, uma distribuição de renda mais justa etc.
E há os que são demagogos, fisiologistas, golpistas; que
legislam em causa própria, que só trabalham para aparecer perante a
mídia. É o caso recente de um deputado do PT de Roraima que apresentou
na Câmara dos deputados projeto de lei que visa regulamentar a profissão
de prostituta, denominando-a como a profissão dos "trabalhadores da
sexualidade".
De acordo com o texto da proposta, considera-se nessa
categoria toda pessoa adulta que, com habitualidade e de forma livre,
submete o próprio corpo a práticas sexuais com terceiros mediante
remuneração previamente ajustada. Também se equiparam aos
"trabalhadores da sexualidade" aqueles que expõem o corpo em
caráter profissional para estimular o libido de terceiros, como o stripteasers.
O objetivo do deputado é dotar os órgãos competentes de
melhores condições para controlar o setor e, dessa forma, conter os
abusos.
Com a proposta, passam a ser considerados direitos desses
trabalhadores:
- expor corpo em local definido pela autoridade pública competente;
- ter acesso gratuito aos programas e ações de saúde pública
preventiva de combate às doenças sexualmente transmissíveis;
- ter acesso gratuito aos esclarecimentos das autoridades de saúde
pública sobre medidas preventivas de evitar doenças socialmenter
transmissíveis.
Para o exercício da profissão de trabalhador da
sexualidade, a proposta determina, ainda, o registro profissional expedido
pela Delegacia Regional do Trabalho, que deverá ser revalidado a cada
ano. Salvo melhor juízo, acho que essa proposição é mais uma agressão
ao sentimento moral da população brasileira.
Não vai aqui nenhuma manifestação de moralismo
ultraconservador, mas não dá para ficar omisso e sem contrapor ante as
investidas que se encadeiam no parlamento, objetivando à aprovação de
leis que oficializam distorções, afrontam a religiosidade e, mais que
isso, a formação cristã da população.
Ora, num momento em que a sociedade se estarrece com os
escândalos decorrentes do turismo sexual e da pedofilia, o Ministério
Público, a Polícia, os juízes, a imprensa, as Igrejas e o próprio
Congresso Nacional buscam denunciar, identificar, prender, julgar e punir
os exploradores da prostituição infanto-juvenil, essa proposta, no
mínimo é inoportuna e merecedora de repúdio.
Esse é mais um projeto semelhante aquele que proibia o
nome de pessoas a animais, que em boa hora foi retirado pelo autor.
Com tantos problemas a serem resolvidos de maior urgência
para a vida do País e sua população, aparece um projeto com esse
interesse! Das duas, uma, ou o autor do projeto não tem nada pra pensar e
fazer, ou é proprietário de bordel ou casas assemelhadas.
É como dizia um velho filósofo: 'eu morro e não vejo
tudo'.
30.11.2004
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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