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Francisco Basso Dias*
Eutanásia
Terri Schiavo, uma mulher americana
de pouco mais de 40 anos de idade, está morrendo
por inanição. Sabe lá o que é
isto?
Não sou ninguém pra julgar,
mas a decisão da Justiça em desligar os
aparelhos que a mantém viva, é pior do que
os opositores do uso célula-tronco.
No caso de Terri, sim, se está
matando uma vida. Vi a foto no jornal da americana com
a mãe. Sua expressão é de quem quer
falar e não pode, para dizer deixem-me viver. É
de chorar.
O drama de Terri Schiavo já vem
de 15 anos. Ela sofreu uma parada cardíaca que
lhe deixou seqüelas cerebrais e desde então,
por meio de aparelhos é mantida viva. Alguns sentidos
ainda funcionam. No entanto, nunca conseguiu manifestar
sua opinião sobre se quer ou não permanecer
viva.
O Congresso norte-americano tem feito
de tudo para impedir a eutanásia. Um empresário
da Califórnia chegou a oferecer US$ 1 milhão
a seu marido Michael – que também é guardião
legal de Terri, para dissuadi-lo a desistir da eutanásia.
O magistrado, um conservador, com sua
decisão, quer mesmo matar Terri.
Ontem, (20/03), poucas horas antes de
se cumprir o prazo para os médicos poderem desligar
os aparelhos, congressistas dos Estados Unidos convocaram
Terri para depor esta semana, mesmo sem poder se comunicar,
pois ela ficaria sub a custódia do Estado, que
não permitira a sua morte.
O Juiz George Greer, do condado de Pinellas,
na Flórida, descartou que a desconexão dos
aparelhos fosse suspensa para cumprir a citação
da Comissão de Saúde do Senado americano.
O magistrado argumenta que os parlamentares
não apresentaram explicações plausiveis
para intervir no caso e manteve a decisão a favor
da eutanásia. Isto é, mandou desligar os
aparelhos na sexta-feira.
Terri deverá morrer por inanição
(de fome) num período de dez dias a duas semanas
na Clínica de Clarwater, onde está hospitalizada.
Esta não é a primeira vez que os aparelhos
que alimentam Terri são desligados. Já houve
outras duas ocasiões anteriores, mas a Justiça
determinou que eles voltassem a funcionar.
Mas o que mais comove é o apelo
que fez ao Congresso americano, sua mãe, Mary Schindler,
que não quer que sua filha morra por meio da eutanásia:
“A minha filha está morrendo de fome. Por favor,
salvem a minha pequena menina”. Quando concluo este assunto,
chega a notícia de Miami, Flórida, que numa
atitude sem precedentes, o presidente George Bush acaba
de assinar uma lei de emergência que permite a religação
do tubo de alimentação que permite a americana
Terri viver por mais algum tempo.
Seu marido luta para permitir a sua morte
e seus pais estão dispostos a mantê-la viva.
O Juíz James Whittemore disse
que não vai dizer onde, como ou quando será
a decisão. É bem provável que até
ele decidir Terri esteja morta. Não há muito
tempo.
Assisti ontem (22/03) pela Internet,
alguns “takes” que mostram a paciente Terri na cama, respondendo
aos impulsos provocados pelo médico e os carinhos
da mãe. É de chorar. Dá para perceber
que ela não fala, mas ouve, move-se, acompanha
os movimentos com os olhos. Foi muito emocionante. Ao
responder um beijo de sua mãe numa das faces, ela
sorriu. Não sei, não, como podem tirar a
vida de uma pessoa e de forma tão cruel, de fome.
Aproveitando a Semana Santa, esta é
uma boa questão para refletirmos sobre a vida,
a sua importância, a dádiva que Deus nos
concedeu.
22.03.2005
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro -
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