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Francisco Basso Dias*
Estatuto
do Idoso
Está completando um ano de vigência o Estatuto do Idoso
que levou sete anos para ser aprovado no Congresso. Pessoas com mais de 60
anos de idade são beneficiadas com atendimento hospitalar com prioridade;
50% de redução no valor da entrada em espetáculos; transporte gratuito
e assistência social, são alguns dos exemplos mais significativos, mas
nem tudo o que está escrito no Estatuto é cumprido.
Por exemplo: os maus tratos; o abandono, apropriação de
bens de idosos e outras, não estão sendo satisfeitas.
No ano passado o Conselho Nacional dos Direitos dos Idosos
recebeu 1.565 denúncias. Há muitos hospitais e postos de saúde que
ainda não respeitam o Estatuto ao não priorizar o atendimento aos
idosos.
Outra área que gera problemas é a de transportes.
Na verdade, a lei até agora trouxe poucos benefícios aos
idosos. A presidente Clari Munhoz, do Conselho do Idoso de Brasília, numa
entrevista a imprensa disse que " ainda há muita timidez por parte
dos idosos. Isso é um dos motivos que fazem com que o Estatuto fique
apenas no papel".
O que existe é uma forte discriminação contra as
pessoas mais velhas. Eu sei de gente que para se livrar dos
"incômodos e importunos velhos" recorrem aos asilos e depositam
nesses locais, o pai, a mãe ou o irmão. É triste a constatação, mas
é a realidade.
As estatísticas de um ano atrás apontavam cerca de 20
idosos para cada 100 crianças. São homens e mulheres com direito à
saúde, à habitação, ao transporte coletivo, à previdência - à
cidadania e à dignidade humana, enfim.
No Estatuto do Idoso, capítulo I, do Direito à Vida,
art. 9º. está escrito: "É obrigação do Estado garantir à pessoa
idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de
políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em
condições de dignidade". Na Constituição brasileira no capítulo
destinado a Educação, a Carta Magna em seu art.205 diz o seguinte:
" A educação, direito de todos, é dever do Estado e da família,
será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando o
pleno desenvolvimento da pessoa". Na saúde, quase a mesma
coisa...."direito de todos e dever do Estado...".
Em vários capítulos a Constituição afirma: o Estado
garantirá; todos têm direito; a família, base da sociedade tem especial
proteção do Estado.
Isto tudo está escrito na letra morta da Carta Magna. Só
que não se cumpre. Em não se cumprindo, vem o desrespeito, e a
desmoralização da própria lei. Ora, se não há o cumprimento das leis
fica fácil e cômodo preconizar, como dizem alguns, procurem a Justiça.
Tudo é a Justiça. É por isto que o judiciário está entupido de
ações e não há "destop" (é o nome de um produto químico
para desentupir pias e ralos) suficiente, para desentulhar as pilhas...e
pilhas de processos.
19.01.2005
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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