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Francisco Basso Dias*
Escorregões
do Português
Sinceramente em não me acho um bom colunista. Dou muitos
escorregões no português, reconheço.
Mas, há que se considerar que estudei até a 5ª. Série
primária, (no meu tempo denominava-se admissão), logo vinha o primeiro
ano ginasial.
Portanto, os leitores que me perdoem se notarem alguma
"gafe".
Mas, o importante é que nos façamos nos entender.
O português não é fácil, não! Até os estudiosos
escorregam.
Li um artigo da juiza e escritora Marília Villela de
Medeiros Mignoni, do Estado do Espirito Santo, já aposentada, onde ela
chama a atenção para as dificuldades que muitos enfrentam,
principalmente aqueles que não estão familiarizados com suas regras ou
lêem pouco, e passam a adotar a forma de falar ou escrever como ouvem de
seus pais, parentes ou amigos. Até professores do curso primário (ensino
fundamental), infelizmente, falam ou escrevem errado, transmitindo os
erros para os alunos.
Para não ficar só na categoria dos professores, há os
famosos casos dos advogados que escrevem "açassino" ou
"assacino" ou ainda "assão", em vez de ação. E eu
fico pensando como esses advogados que passaram pelos bancos escolares,
prestaram exame vestibular, possam ainda cometer tais erros tão banais
para um profissional da área. E é interessante, mesmo com o recurso do
computador, os erros se destacam ainda mais.
A juíza Marília diz que é comum encontrar petições
trazendo palavras como: "envirtude, souteiro, recurço, ofencivas,
talba (em lugar de tábua), houvir, groceiras, compania, iracional,
discursão (em vez de discussão), previlégio, omicídio, poblema,
uzocampeão, arrazuado e acído (sentido de assíduo).
Há também os que não dão sentido a frase que fica
confuso quando o advogado pretende apresentar argumentos e não consegue
exprimir sua intenção de forma correta.
Certa vez quando eu praticava no Cartório do Civel, do
falecido Walter Schenatto (Osso), li uma petição de um advogado da parte
contrária que trazia aos autos uma prova documental, mais precisamente um
retrato, uma foto, e se perdeu na explicação.
Ele pretendia comprovar a existência de uma janela aberta
a menos de um metro e meio da divisa entre duas propriedades e, para
tanto, como no início de prova, juntou a fotografia. Só que a tal
fotografia, tirada de outro ângulo da casa, não mostrava a janela objeto
do pedido. Não se dando por vencido, por não ter em mãos a prova que
desejava, resolveu juntar mesmo aquela foto que nada significava e, após
tentar argumentar, a redação saiu assim: "podendo se ver uma janela
que, em certa posição, não é vista, como mostra a foto".
Não se viu nada.
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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