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Francisco Basso Dias*
O
Descrente
Quer coisa pior do que você conversar com um indivíduo
cético, descrente de tudo? Além de se perder tempo argumentando sobre um
determinado assunto ele atrapalha.
O pior inimigo de quem pensa, de quem tem idéias é o
cético. Se você encontrar um cara desses numa assessoria de governo, por
exemplo, morrem as esperanças de que qualquer projeto vá adiante.
O Padre Landell de Moura, uma das figuras mais importantes
da comunicação brasileira, foi uma vítima de um insano assessor. Por
causa disto perdeu para o italiano Marconi, o título de pai do rádio.
Tudo pelo ceticismo de um oficial de gabinete.
Landell de Moura precisava demonstrar a importância e
efeito do seu invento que era estabelecer comunicação via rádio, entre
dois navios da marinha de guerra. Para tanto, necessitaria de licença
para fazer a demonstração. Marcada a audiência, compareceu ao
Ministério.
Na ante-sala aguardando ser recebido, não conteve o seu
entusiasmo e disse ao oficial de gabinete:
- Chegará um dia que faremos comunicações entre países e até entre os
planetas....
O oficial foi ao Ministro e disse: "Ministro está na
ante-sala uma pessoa que se diz inventor de um aparelho que se comunica à
distância, sem o uso de fio. O homem é louco". Diante da
informação, a audiência foi cancelada, a programação que deveria ser
realizada entre dois navios suspensa e o teste, evidentemente, deixou de
acontecer.
O italiano Marconi, então, ganhou a frente, enquanto o
cientista brasileiro era desprezado pela incredulidade dos seus
compatriotas.
Santos Dumont, foi outro brasileiro taxado de louco,
quando apresentou seu projeto do mais pesado do que o ar, o avião. Por ai
se vê a grande dificuldade que alguém encontra, quando inventa algo que
possa trazer benefícios e progresso a humanidade, e aparece um cético
doido da vida e põe o projeto água abaixo.
Pra não ficar só nesta história de Landell De Moura,
há outra passagem relacionada com a construção de Brasília. Um
jornalista famoso, à época, usava largos espaços na imprensa para
semanalmente semear o caos. Chegou a insistir na existência de
"estudos científicos" que mostravam a impossibilidade de o Lago
Paranoá encher. Dizia o ilustre incrédulo jornalista que ás análises
do solo comprovavam que o lago nunca iria encher porque apresentava,
" efeito esponja". Isto é, toda a água depositada seria
imediatamente absorvida, sendo impossível um dia encher.
Quando as obras foram concluídas, o presidente Jucelino
Kubistchek, que andava de saco cheio com as críticas do jornalista
enviou-lhe um telegrama que continha uma só palavra:
"Encheu!".
Os exemplos acima, são para comprovar, que o cético é
um indivíduo que atrapalha, é um alienado, obcecado, mas não é dono da
história.
24.11.2004
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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