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Francisco Basso Dias*
A
Debandada
Antes que afunde o barco, seus ocupantes começam a
abandoná-lo.
A notícia da imprensa do centro do País a cerca do
salve-se-quem-puder no PT ganha sentido, na medida em que se anuncia a
desfiliação de cem filiados do partidão que aproveitaram o Fórum
Social Mundial realizado recentemente em Porto Alegre, para anunciar sua
saída do partido.
Um dos nomes mais conhecidos do grupo, o economista
Plínio de Arruda Sampaio Júnior, no partido há 25 anos, afirmou que
esse é apenas o início da "debandada" dos petistas de
esquerda, e que nos próximos meses mais 500 filiados devem proceder da
mesma forma.
O grupo se encontrou para debater alternativas para a vida
fora do PT na tarde na semana passada (dia 29/01), na sede do Sindicato
Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), em Porto
Alegre.
- O governo Lula acabou com as expectativas da esquerda no
Brasil. Doeu muito. Mas agora é hora de pensar em alternativas - declarou
Sampaio Júnior.
Na manhã do mesmo dia 29 de janeiro o economista e outros
representantes da dissidência petista participaram do encontro nacional
do P-Sol, na Escola Mãe Admirável, na Cidade Baixa. Sampaio Júnior, no
entanto, nega que estaria se filiando ao partido.
Para ele, o grupo de ex-petistas precisa discutir mais e
tomar uma decisão conjunta:
Assim como a saída do PT foi em grupo, organizada, o
próximo passo também tem que ser coletivo, concluiu. Mas aí em Erechim
teve gente que se antecipou a "debandada". Integrantes do
partido como Vitor Hugo Arpini, Carlos Keleres Spinatto e César
Malicheski já arrumaram as malas e se mandaram.
Perde o PT três bons e eficientes soldados. Posso falar
de um deles, César Malicheski, com quem convivi na época da fundação
do PFL, em cuja legenda Elói Zanella e Jayme Lago se elegeram, assim
como, uma atuante bancada de vereadores. Era muito bom estrategista,
organizado. Chegava a ser inoportuno, morrinha, de tão exigente no
cumprimento das tarefas que lhe eram confiadas, e a cada um da equipe. Foi
uma época inolvidável aquela.
A vida partidária tem dessas coisas, nem sempre
conseguimos atingir os nossos ideais e objetivos.
A competição desenfreada e doentia de alguns, aliada a
vaidade das pessoas termina, ao invés de somar, dividindo.
E o que está acontecendo com o Partido dos Trabalhadores
não é diferente nos demais. Vejam: no PSB, brigam Ciro Gomes e Roberto
Freire; no PP regional do R.G. do Sul, que se prepara para escolher o novo
diretório em abril, existem dissensões; no PFL, Inocêncio de Oliveira,
porque o partido não lhe deu chance a uma candidatura executiva no seu
estado (Pernambuco), deixou a agremiação e assinou ficha no PMDB; a
eleição do presidente da Câmara dos Deputados divide o PT, sujeito a
perder o cargo em razão da candidatura avulsa de Virgílio Guimarães
contra o nome oficial Luiz Eduardo Greenhalgh. Na mesma disputa estão
Severino Cavalcanti (PP) e José Carlos Aleluia (PFL).
Está muito difícil ser autêntico, partidário,
disciplinado... O orgulho e a presunção de alguns poucos que se enraízam
nas cúpulas partidárias é que são os culpados pela frustração de
verdadeiros idealistas.
É sempre um privilégio ter você como leitor.
04.02.2005
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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