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Francisco Basso Dias*
Colonização Judaica
- 100 Anos
Comemora-se este mês, o centenário da chegada dos
primeiros imigrantes judeus ao Rio Grande do Sul.
Em 1891, o barão judeu Maurice de
Hirsch fundou a Jewish Colonization Association (ICA) com o objetivo de retirar
os judeus da Europa Oriental e assentá-los onde pudessem ter uma vida melhor.
Em 1903, a ICA adquiriu uma área de
5.700 hectares no município gaúcho de Santa Maria para estabelecer a colônia
agrícola de Philippson.
No ano seguinte, chegaram as
primeiras 38 famílias da Bessarábia.
Cinco anos depois, a ICA comprou
mais 93.850 hectares entre Erechim e Getúlio Vargas na então colônia de
Quatro Irmãos.
Até 1928 chegaram cerca de 280 famílias
judias no Rio Grande do Sul.
Na década de 30, especificamente
entre 1934 e 1937, o estado passou a receber um número maior de judeus que
fugiam das perseguições nazistas. Poucos chegaram após a guerra, como
sobreviventes do Holocausto.
O fluxo ficou seriamente restrito a
partir de 1937, quando uma legislação criada pelo Estado Novo estabeleceu um
sistema de cotas para a entrada de estrangeiros.
Anita Brumer, pesquisadora da presença
judaica no Rio Grande do Sul enfatiza, que diferentemente de imigrantes de
outras origens que vieram para o Brasil movidos por motivos econômicos, entre
os judeus da Rússia czarista - ashkenazi - não predominava o sonho de
"fazer fortuna e depois voltar". "Além dos problemas econômicos,
comuns aos emigrantes de outros países, os judeus sofriam perseguições
religiosas e sociais em alguns países europeus onde se concentravam em maior número",
diz.
Relata, por exemplo, a expulsão de
Moscou (em 1891), no último ano do governo do czar Nicholau II, como parte do
plano de "russificação" que incluía a prática compulsória da
religião russa ortodoxa.
Os imigrantes trazidos pela ICA - além
de alguns que vieram por conta própria, dedicavam-se à agropecuária, embora a
maioria fosse proveniente das cidades, sem nenhuma prática nessa atividade.
Para Anita, "este foi um
importante fator, embora não o único, a explicar o insucesso das colônias agrícolas
judaicas".
A ICA oferecia a cada família de 25
a 30 hectares de campo e mato, instrumentos agrícolas, duas juntas de bois,
vacas, um cavalo com carroça, pelos quais deveriam pagar 5 contos de réis em
um prazo de dez a vinte anos.
Inicialmente, foram alojados em precárias
casas de madeira de 35 metros quadrados, com teto de zinco, sem vidraças e com
frestas entre as tábuas.
Com a vinda de novas levas de
imigrantes, foram criados outros núcleos de colonização, na região de Quatro
Irmãos: Barão Hirsch (1926), Baronesa Clara (1927) e, mais tarde, Rio Padre e
Pampa.
No entanto, a enorme maioria dos
colonos não permaneceu nesses lugares, mudando-se mais tarde para Santa Maria,
Erechim e Passo Fundo ou para Porto Alegre.
Erechim muito deve a colônia
israelita.
Tanto no comércio como na
agricultura, na medicina, odontologia, cultura, em fim, em diversos setores da
atividade social e econômica do município, os judeus sempre foram presença
marcante.
Lembro famílias como: Gurski,
Arenzon, Tawschnhanski, Litwin, Iochpe, Lerner, Lawinski, Charchat,
Jocelavicius, Agranionik, Bacaltchuk, Kotliarenko, Maiguelnik, Plavnik,
Fialcoff, Jovelevitch, Lechman, Fichman, Silvestron, Schuckman, Chwartzmann e
Sirotsky.
Tem mais gente, mas a memória me
falta.
De qualquer sorte, a intenção de
homenageá-los tem a mesma intensidade.
Os judeus deixaram traços lembrados
até hoje pelos habitantes mais velhos de Erechim.
No mês do centenário da colonização
judaica no R.G. do Sul e, especialmente Erechim, a singela homenagem de apreço
aqueles que seguindo as tradições de seus antepassados, continuam ajudando o
município a se desenvolver.
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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