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Francisco Basso Dias*
O
Balanço
"O poder detesta a crítica. Ele quer o elogio"
Ricardo Noblat - Jornalista
O ano de 2004 chega ao seu final. Para uns com
realizações, muitos ganhos e conquistas. Para outros, o ano que expira
foi de angústias, perdas, decepções, prejuízos. Na política, o
Brasil, apesar dos fatos que enuviaram a administração do presidente
Lula, surpreende uma pesquisa induzida que aponta o chefe da Nação com
63% de entrevistados que disseram confiar nele.
Os resultados mais elogiados foram os da área social.
Numa simulação feita pelo IBOPE da eleição presidencial em 2006,
segundo publica a imprensa, o único candidato que forçaria um segundo
turno contra o presidente é o prefeito eleito de São Paulo, José Serra.
Em um hipotético primeiro turno, Lula teria 42%, contra 33% do tucano. Eu
falei que alguns fatos entroviscaram o governo.
Por exemplo: O escândalo "Waldomiro" a toda
hora lembrado; a briga de rinhas no Rio de Janeiro envolvendo Duda
Mendonça, o homem de marketing do presidente; a roubalheira no
Ministério da Saúde; as acusações de que o presidente do Banco Central
Henrique Meirelles, estaria de mal com o Imposto de Renda; mais
recentemente o caso de corrupção no Tribunal de Contas da União, cujos
funcionários envolvidos teriam facilitado licitações que, por sua vez,
beneficiaram uma empresa do ministro das Comunicações Eunicio Oliveira
(PMDB); em Vassouras, Niterói, Estado do Rio de Janeiro, foram presos
mais quatro funcionários por cometerem fraudes na previdência (dois
auditores fiscais e dois executivos do INSS).
No Pará, numa denominada operação faroeste, foram
detidos pela Polícia Federal o superintendente do INCRA, seu adjunto e
mais 16 pessoas acusadas de corrupção ativa e passiva, falsificação de
documentos públicos e formação de quadrilha, em negociações
envolvendo terras da União. E, para completar o balanço, o Diário
Oficial da União publicou a licitação n. 00140.000226-67 prevendo a
compra de 149 itens para o Palácio da Alvorada. Dentre estes constam:
7 toneladas de açúcar
2 toneladas e meia de arroz
400 latas de azeitona
600 quilos de bombons
800 latas de castanhas de caju
900 latas de leite condensado. Tudo altamente calórico e
exagerado. E o pior, é que pelo prazo da licitação, tudo isso deveria
ser consumido em 120 dias. Mas, constam ainda:
dois mil vidros de pimenta
2.500 rolos de papel alumínio
400 vidros de vinagre
460 pacotes de sal grosso e ainda 6.000 barras de
chocolate.
Se você, leitor, apanhar uma calculadora e fazer as
contas, vai concluir que a turma do presidente está consumindo por dia:
58 quilos de açúcar;
22 quilos de arroz
50 barras de chocolate
15 vidros de pimenta. Como a repercussão dessa compra foi
negativa, houve a ordem para tirar do site oficial do governo o processo
de licitação, que já havia sido publicado na edição número 463 do
D.O.U. Numa outra licitação (00140.000217-36) incluem-se:
129 mil litros de água mineral (mais de mil litros por
dia);
2.000 latas de cerveja
35 mil latas de refrigerantes
1.344 garrafas de sucos naturais
610 garrafas de vinho (consumo: 5 por dia)
50 garrafas de licor
Para o Palácio foram comprados:
495 litros de suco de uva
390 litros de suco de acerola
a mesma quantidade de sucos de maracujá, laranja,
tangerina e manga
Três toneladas de batatas
2.000 dúzias de ovos
Duas toneladas de cebolas e uma tonelada e meia de alho
poró
2.400 abacaxis
Uma tonelada e meia de bananas
Outro tanto de ameixas e uma tonelada de caqui.
10 butijões de gás de dois quilos
170 butijões de 13 quilos
20 cilindros de 45 quilos e mais
45 toneladas de gás a granel (um consumo diário, pelas
minhas contas, de 24 butijões por dias de consumo)
O Gabinete da Presidência mandou comprar:
2.000 CDs para gravação
20 mil disquetes.
Outra compra , a de n. 00140.000143/2003-78. Vamos lá:
300 colchas
330 lençóis
300 fronhas
50 travesseiros
66 cobertores
15 roupões
20 jogos de toalhas
20 toalhas de banho
120 colchões
2 fogões
2 cafeteiras
4 fornos microondas
4 geladeiras
5 ventiladores
6 aparelhos de ar condicionado
2 bebedouros
7 televisores
2 aparelhos de CDs
3 liqüidificadores
1 sanduicheira
1 frigobar.
Alguém tem idéia de quanto se paga para a roupa lavada
no Palácio, em 120 dias?
54 toneladas - ou 13 toneladas e meia por mês, ou ainda,
450 quilos de roupa por dia.
Para concluir, a mais recente informação: O avião novo,
elegante e funcional do presidente, que custou a bagatela de US$ 56,7
milhões, só em decoração, o gasto será de US$ 10 a 12 milhões, já
incluido no custo final.
Nada contra, que o chefe da nação tenha os seus
confortos e mordomias, mas um país como o Brasil que tem uma dívida
interna e externa elevadíssima, não contando os problemas da falta de
melhor saúde para a população, estradas, segurança etc., bem que
poderia cortar certos gastos.
É por isto que não tem dinheiro para os aposentados e
pensionistas do INSS, para o funcionalismo geral.
Aliás, por falar em funcionalismo, o aumento de 15% para
os 34 mil servidores, que a Câmara, Senado e TCU haviam dado aos seus
trabalhadores, foi considerado inconstitucional pelo STF e agora terão
que devolver aos cofres da União. Que presente de Natal, heim ?
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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