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Francisco Basso Dias*

 

Os (velhos) Aposentados

Vou falar de um assunto que sempre é atual. E é preciso que cada vez mais gente fale, pois só assim quem sabe o governo se canse de ouvir ou ler - como já estamos casado de ouví-lo – e tente minimizar o martírio que é imposto aos aposentado dependente do INSS.

O Ministério da Previdência descobriu o ovo de Colombo. Acaba de achar, através de levantamento técnico que está pagando benefícios a 3,5 milhões de pessoas com mais de 80 anos, embora o IBGE aponte para 2 milhões de velhinhos nessa faixa etária. Na revisão dos cadastros, feita há pouco, o Instituto encontrou 3 milhões com irregularidades.

A gente custa a acreditar que mesmo com os avanços tecnológicos, mesmo assim, essa tecnologia deixa muito a desejar. No Maranhão, os técnicos encontraram o fantástico número de duas vezes mais aposentados com idade acima de 80 anos do que o número de pessoas nessa faixa de idade, contado pelo Instituto de Geografia e Estatística.

Segundo a Previdência, o prejuízo com os pagamentos indevidos, soma 6 bilhões de reais/ano. Como pode acontecer uma coisa dessas? E não é só isto. Continuando a investigação o INSS foi buscar no banco de dados informações que detectaram nomes de pensionistas errados, pagamentos indevidos etc. Tanto que, se houvesse o cancelamento desses pagamentos o INSS economizaria a bagatela de R$ 15,6 bilhões por ano.

Hoje, estão cadastrados como aposentados 24 milhões de beneficiários. Duzentos e cinqüenta mil não têm si quer endereço. É uma esculhambação, pra não dizer outra coisa. Como é que querem tornar a vida do aposentado feliz, com um salário digno, como dizem os “discursistas” de plantão? Fizeram essa reforma da Previdência de araque, mas as maracutaias continuam. Roubam, trapaçam, locupletam-se, aproveitam-se da impunidade, e tudo fica por isto mesmo.

Alguém se lembra daquela mulher que era uma alta funcionária carioca da Previdência que roubou a torta e a direita? Não faz muitos dias uma outra quadrilha foi presa pela Polícia Federal por crimes diversos contra a Previdência.

Da dó de ouvir de velhinhos aposentados suas reclamações. E todas elas justas. Uma vez ouvi dizer que o governo iria acabar com as filas nos postos e hospitais. Pura enganação. Ao contrário, elas aumentaram mais ainda.

Quando aparece um ministro (na época Ricardo Berzoini) que transformou-se no maior vilão dos aposentados, e manda cancelar 105 mil benefícios a pessoas de mais de 90 anos de idade, com a argumentação de que só iria liberar os salários mediante recadastramento nos postos, o que é preciso dizer? Que foi um ato insano, impensado, pra não dizer outra coisa mais grave.

Falo com uma certa revolta, porque sou um dos entre tantos mil que estão sendo burlados pela previdência.

Quando concluí tempo para requerer minha aposentadoria, ela equivalia a “x” salários mínimos; era o cálculo que se fazia naquela época. Aí, os panacas dos deputados de 1988, em plena Constituinte, resolveram dar um presente a todos os aposentados: mudaram a lei e o cálculo passou a ser outro.

Resultado: hoje minha aposentadoria, que deveria ser o equivalente a 7,77 salários mínimos, vale 5. Significa dizer que me comeram 2,77 salários.

Como é que posso ficar batendo palmas pra essa “gentalha...gentalha”, como diz o Kiko, da série “Chaves” da TV!

Os burocratas do governo alegaram em 1988 que a reforma era necessária porque se assim não fosse, a Previdência quebraria. Já se passaram 17 anos; uma outra reforma foi aprovada; a Previdência não quebrou; os aposentados estão ganhando mal; o roubo aumentou uma barbaridade, como diria o nosso gaúcho da fronteira e os que se sentirem injustiçados devem procurar a Justiça.

Hoje, (29.03) a imprensa noticia que o novo ministro da Previdência, Romero Jucá, do PMDB, é suspeito de fraude com o uso de dinheiro público. Ele teria oferecido em 1996 sete fazendas inexistentes no interior do Amazonas, como garantia de um empréstimo bancário que pagaria dívida da empresa de abatedouro de frangos, que ele administrava, em Boa Vista, Roraima, com o Banco da Amazônia (Basa), no valor de R$ 18 milhões.

O dinheiro veio do Fundo Constitucional do Norte, formado pelos Impostos de Renda e sobre Produtos Industrializados.

A empresa, também de propriedade de Luiz Carlos Fernandes de Oliveira, recebeu por quatro anos os recursos públicos, utilizados para pagar outras dívidas de ambos no próprio Basa e injetar recursos no abatedouro hoje fechado.

Desde setembro de 2004, o banco tenta localizar e penhorar as propriedades para levá-las a leilão e reduzir o dano, mas nada encontra.

Segundo o cartório do registro de imóveis de Ipixuna (AM), nenhum desses imóveis existe e os documentos apresentados como garantia da dívida por Jucá - então fiador de Oliveira - foram fraudados. Oliveira, por sua vez, atribui essas informações a 'erro do cartório' e nega que seja sequer amigo de Jucá.

Até provar que "focinho de porco não é tomada de luz", vai demorar um bocado.

Enquanto isso... fica a dúvida: Jucá fraudou ou não???.

Pobre Brasil!!!


29.03.2005

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*Francisco Basso Dias

Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - 

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