|
Francisco Basso Dias*
Aposentadoria
É quando ingressamos na inatividade, seja funcionário
público ou de empresa particular, ao fim de certo tempo de serviço, com
determinado vencimento.
Prepare-se, um dia você chegará lá. E vai sentir na
própria carne o que é ser um cidadão indiscriminado, descartado e
desprezado por uma boa parcela da sociedade. Estava observando e fazendo
cálculos sobre quanto os aposentados vão ganhar com a elevação do
salário mínimo a partir deste ano.
No primeiro ano deste governo, o aumento do salário
mínimo foi de 20%. Mas os aposentados que percebem mais que um salário
mínimo ganharam 19%, graças ao orçamento elaborado pela equipe do FHC.
No segundo ano, de acordo com o orçamento dos técnicos do PT e da equipe
do presidente Lula, o salário mínimo aumentou 9%, e os que ganham acima
do mínimo foram premiados com um aumento de 4,56%.
Neste ano de 2005, com o orçamento elaborado pelo PT e
equipe de Lula, o mínimo vai aumentar 15,2% e para os que ganham mais que
o mínimo o aumento ficará em cerca de 6%. É ou não é um absurdo? Teve
um aposentado que me escreveu e disse, com razão, que "o salário do
aposentado cresce como rabo de cavalo: para baixo". Eu sou uma das
vítimas da aposentadoria. Quando recebi a carta do INSS comunicando-me
que estava aposentado, fui fazer os cálculos de quantos salários
mínimos equivalia a minha justa remuneração. Em 1984 era tanto quanto
7,77 salários mínimos.
Hoje, pelo novo mínimo que o governo do PT e de Lula
estão anunciando, os meus míseros proventos vai baixar para 4,46
salários mínimos. Quanta demagogia! Quanta hipocrisia! Eu começo a
acreditar que Lula não gosta mesmo de aposentado. Aliás, é bom lembrar
para quem tem memória curta, que o presidente José Luiz Inácio Lula da
Silva conseguiu sua aposentadoria sem completar o tempo necessário, sem
mesmo atingir 25 anos de trabalho e ainda foi contemplado retroativamente,
mercê da Lei da Anistia, recebendo como se na ativa ainda
estivesse.
Lula jamais foi anistiado, porque nunca foi cassado.
Portanto, usou-se com Lula, como também, com algumas centenas de outros
felizardos espertalhões, um artifício, urdido e tramado, para que todos
aqueles que foram presos por motivo de ações políticas, por qualquer
período de permanência no cárcere, mesmo sem condenação, ou
simplesmente tivessem sido os seus nomes citados em processos judiciais,
militares, etc... por motivos políticos, ainda que absolvidos, fossem
considerados anistiados, o que é uma teratologia jurídica e social.
Você sabia, também, que o anistiado é isento de
pagamento de imposto de renda, taxação de inativos, e essas cozinhas
desconfortáveis atribuídas à plebe, assim considerados todos os que
não fazem parte da "tchurma", que obteve algumas legítimas
migalhas?
Os aposentados em geral, pelo INSS, sabem muito bem o que
é trabalhar 35, ou mais anos, pagar aposentadoria pelo máximo (tem gente
que pagou até pelo teto de 20 salários mínimos) e recebe hoje por
valores de referência não ultrapassando R$ 1.600,00.
Bom mesmo foi ter sido preso, por qualquer motivo, ou até
acusado, sem prisão que a lei da anistia excedeu o perdão amplo, geral,
irrestrito, e ainda concedeu verdadeiros prêmios lotéricos aos
contemplados, a considerar a diferença espantosa entre as condições de
aposentadoria dos anistiados e do resto da população, autêntica
escumalha previdenciária brasileira. País do carnaval, das festas, dos
profusos feriados, das férias de 90 dias para parlamentares, ajuizes,
promotores fica meridianamente claro que quem trabalha nunca alcança a
justa remuneração.
O Brasil, desde as capitanias hereditárias, que nunca
foram abolidas no nosso território, é o país das castas, muito mais do
que na Índia, Paquistão e outros países orientais. Lula, nunca entrará
em filas do INSS, não terá que ser recadastrado aos 90
anos...aposentou-se aos 22 anos de contribuição, 43 anos de idade
incompletos, e tudo bem! E depois não querem que o brasileiro fraude a
previdência, sonegue impostos, engane a receita federal. Mas, como
impedir tudo isso em um país onde as injustiças pululam a todo instante?
Não há como não gritar como fez Ruy Barbosa em
1917:"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a
desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se o
poder nas mãos dos maus, o homem chega a rir-se da honra, desanimar-se da
justiça, e ter vergonha de ser honesto!"
___________________________
*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
|