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Francisco Basso Dias*
O
Apartamento da Ministra
Uma manchete do Jornal O Globo da semana passada chamou a
atenção de centenas de milhares de leitores. Dizia o jornal:
"Apartamento de ministra do STF é reformado por R$ 133 mil e
ganhará banheira". Se dividirmos esta quantia por 9.000, que foi a
media do número de processos que cada ministro julgou em 2004, não vejo
exagero nenhum, considerando que para exercer a função de ministro do
STF além de um bom salário é preciso ter condições para morar, ter os
seus momentos de lazer, curtir as suas vaidades, ainda mais que é
mulher.
Os apartamentos destinados aos ministros do STF, pra quem
não sabe, foram construídos na década de 60, época da inauguração de
Brasília. E é natural que haja desgaste nas instalações elétrica e
hidráulica originais.
O carpete também é antigo. Estão sendo refeitos alguns
revestimentos e a pintura, o que é tudo muito legítimo. Se vivêssemos
em um país socialista (Cuba, China, Coréia do Norte...) até que pudesse
causar repulsa ou protesto tais gastos, mas estamos no Brasil, país
capitalista (pobre é verdade).
O presidente Lula, não faz muito, mandou reformar a sua
residência particular no Palácio da Alvorada. Alguém sabe quanto os
cofres públicos pagaram? Comprou um avião para suas viagens que custou
mais de 56 milhões de dólares. E as despesas com a criadagem do
palácio?
Portanto, trazer a público um assunto dessa natureza é
até constrangedor. Eu não tenho procuração para defender a ministra,
mas a imprensa não fala, por exemplo, das milionárias despesas do
palácio residencial. As toneladas de açúcar, arroz, pimenta, chocolate,
bom-bons, leite condensado, sem contar os "birinaits", cerveja,
vinho, licores, água mineral etc. Essa história de nivelar Ministro,
Senador, Deputado com pessoas comuns é uma cultura retrógrada.
Afinal deve-se respeitar, por pior que seja, o cargo com
seus encargos. Ou você desejaria que tais autoridades exercessem seus
mandatos ganhando 10 salários mínimos? Há alguns excessos, sim. Mas no
caso do apartamento da ministra que é do tempo da inauguração de
Brasília, uma reforma orçada em R$ 113 mil, é café pequeno se
compararmos com o que ganham alguns ministros do executivo, que viajam com
diárias em dólares para o exterior, desfrutam das instalações e
estruturas das embaixadas e embolsam o dinheiro, as chamadas diárias
secas. Sobre estas questões poucos falam.
Justiça seja feita, o Jornal Folha de São Paulo foi quem
trouxe a baila esses exageros. Mesmo assim, uma pesquisa encomendada pela
CNT - Confederação Nacional dos Transportes - Lula recebeu avaliação
positiva: 42,6%.
A mesma pesquisa aponta que Lula ganharia a eleição para
presidente em 2006 ainda no primeiro turno.
As simulações incluíram os nomes de Anthony Garotinho
(PMDB), Cesar Maia (PFL) e Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo
Alckmin, Aécio Neves e Tasso Jereissati (todos do PSDB).
Durma-se com um barulho desses!
21.02.2005
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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