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Francisco Basso Dias*
Isto
Sim é Advogado...
Um amigo anônimo me enviou uma história interessante que
reproduzo, como uma homenagem aos advogados de Erechim, por quem tenho
grande apreço e pela genialidade da tese apresentada em defesa de seu
constituinte.
Diz o meu amigo que tudo aconteceu em Ubá. É uma comarca
que fica localizada no interior de Minas Gerais, há 290 quilômetros da
capital, na zona da Mata, com uma área de 479 Km2.
Tinha na cidade um cara cujo apelido era Cabeçudo.
Nascera com uma cabeça grande, dessas cuja boina dá pra
botar dentro, fácil, uma dúzia de laranjas.
Mas, fora disso, era um cara pacato, bonachão e paciente. Não gostava,
é claro, de ser chamado de Cabeçudo, mas desde os tempos do grupo
escolar, tinha um chato que não perdoava. Onde quer que o encontrasse,
lhe dava uma palmada na cabeça e perguntava:
Tudo bom, Cabeçudo"?
O Cabeçudo, já com seus quarenta e poucos anos, e o cara
sempre zombando dele.
Um dia, depois do centésimo tapinha na sua cabeça, o Cabeçudo meteu uma
faca no engraçado e matou ele na hora.
A família da vítima era rica, a do Cabeçudo, pobre.
Não houve jeito de encontrar um advogado para defendê-lo, pois o crime
tinha muitas testemunhas.
Depois de apelarem para advogados de Minas e do Rio, sem sucesso algum
resolveram procurar o Zé Caneado, um advogado que há muito tempo deixara
a profissão, pois, como o próprio apelido indicava, vivia de porre.
Pois não é que o Zé Caneado aceitou o caso,
e passou a semana anterior ao julgamento sem botar uma gota de cachaça na
boca!
Na hora de defender o Cabeçudo, ele começou a sua defesa
assim:
- Meritíssimo juiz, honrado promotor, dignos membros do júri.
Quando todo mundo pensou que ele ia continuar a defesa,
ele repetiu:
- Meritíssimo juiz, honrado promotor, dignos membros do júri.
Repetiu a frase mais uma vez e foi advertido pelo juiz:
- Peço ao advogado que, por favor, inicie a defesa.
Zé Caneado, porém, fingiu que não ouviu e:
- Meritíssimo juiz, honrado promotor, dignos membros do júri.
E o promotor:
-O juiz:
- Advirto ao advogado de defesa que se não apresentar imediatamente os
seus argumentos...
Foi cortado por Zé Caneado, que repetiu:
- Meritíssimo juiz, honrado promotor, dignos membros do júri.
O juiz não agüentou:
- Seu moleque safado, seu bêbado irresponsável, está pensando que a
Justiça é motivo de zombaria?
Ponha-se daqui para fora antes que eu mande prendê-lo.
Foi então que o Zé Caneado disse:
- Se por repetir apenas algumas vezes que o juiz é meritíssimo, que o
promotor é honrado e que os membros do júri são dignos, os senhores me
ameaçam de prisão, pensem na situação deste pobre homem, Cabeçudo?
Cabeçudo foi absolvido e o Zé voltou a tomar suas
cachaças em paz.
Moral da história. Mais vale um Bêbado Inteligente do
que um Alcoólatra Anônimo!!!
21.01.2005
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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