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Francisco Basso Dias*
O Caos na
Saúde Pública
Quem assistiu o programa Fantástico, da TV-Globo, deste
domingo (13.03) deve ter ficado de cabelo em pé, como eu fiquei. É uma
vergonha um país como o Brasil que se arvora em ser o país do futuro por
ter o privilégio da própria natureza em ter tudo e de tudo, não
consegue encontrar uma solução para o problema da saúde de seu
povo.
Duvido quem não tenha ficado revoltado com o que a TV
mostrou o que está ocorrendo nos hospitais do Rio de Janeiro. Duvido.
Mas, afinal, onde está a política de saúde do governo? Para onde está
indo a cobrança do CPMF? Aplaudo a decisão de uma juíza de Direito
gaúcha, Dra. Laura Ullmann López, da Comarca de Tramandaí que teve a
coragem de entrar com uma representação, junto ao Ministério Público
Federal para obter informações sobre o destino dos recursos da
Contribuição Permanente sobre Movimentação Financeira (IPMF).
A juíza quer saber, e o povo também, a diferença entre
o antes e o depois da CPMF. "Passados oito anos desde a sua
invenção, não há diferença no quadro da saúde. Quantos novos
hospitais e postos de saúde foram construídos? Quantas novas
ambulâncias foram compradas, quais foram os novos equipamentos
adquiridos, onde estão as medicações?" Mais ainda, a Dra. Laura
indaga: "qual o volume de dinheiro que a saúde necessitaria para
funcionar bem no país e se essa cifra não vem sendo facilmente
alcançada".
A juíza não só quer saber tudo isto como deseja
responsabilizar civil e criminalmente possíveis envolvidos em eventual
desvio de dinheiro. A AJURIS, que é a entidade dos Juízes do Rio Grande
do Sul aprovou sua ação como, também, irá acompanhar o andamento do
pedido de sua associada. "Fico indignada, como cidadão e juíza,
quando tenho que determinar que o Estado ou município garanta uma
internação de urgência ou fornecimento compulsório de remédios",
diz Laura.
1. Temos que dar vivas a essa Juíza. Neste país, eu
escrevi em artigo anterior, quem é safado, ladrão, gente de maus
costumes é que tem privilégio. Se pudesse falar com essa corajosa juíza
diria: não esmoreça Dra. Ao seu lado estão milhares de cidadãos que
não tem voz nem vez.
Vamos fazer uma corrente de solidariedade e exigir do
governo o que a própria Constituição garante, "SAÚDE, DEVER DO
ESTADO, DIREITO DO CIDADÃO". E diz mais a Carta Magna em seu artigo
5º., III - ninguém será submetido a tortura nem tratamento desumano e
degradante.
Ora, querem mais? Estão brincando com a sensibilidade do
povo! E não se ouve (a não ser da nossa Juíza gaúcha) nenhuma outra
voz que clame; que proteste. Onde estão nesta ora as Cuts da vida; os
sindicatos de trabalhadores, os MSTs; as Federações, Confederações,
políticos de todos os matizes? Das duas, uma, ou são omissos pela
própria natureza e só agitam em causa própria, ou são coniventes com
com essa situação.
O drama das pessoas doentes do Rio de Janeiro, não é só
lá não. Em São Paulo, Porto Alegre, Bahia, em toda parte é a mesma
coisa. Não dá mais para aguentar. A corda está prestes a estourar.
Precisamos nos opor ao absolutismo prepotente e arrogante dos governos e
cobrar resultados, principalmente na área da saúde que já passou do
caos. Acho até que é uma questão de segurança nacional. Tomara que me
engane.
14.03.2005
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*Francisco Basso Dias
Assessor do Deputado Federal Francisco Appio e
responsável pelo S.O.S. Caminhoneiro - programa institucional de apoio à
categoria
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