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Andréa Bezerra de Albuquerque*
CÉLULAS-TRONCO: O desafio é definir
quando começa a vida
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BEIJÃO,
Andréa
CÉLULAS-TRONCO: O desafio é definir quando começa a vida
CARLA CHEIN
A grande questão que emperra a aprovação da clonagem terapêutica _
utilização pela medicina de células embrionárias _ é a discussão
sobre quando começa a vida humana. Para cientistas, médicos e
bioeticistas, o embrião de cinco dias de onde são obtidas as células-
tronco embrionárias é uma vida, sim, mas em potencial. A Igreja
Católica é contundente ao retrucar: a vida é um processo que se inicia
na fecundação.
O biólogo celular Radovan Borojevic, professor do
Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ), cita como o exemplo um paciente que teve morte cerebral
após sofrer um acidente. “É um ser vivo, mas não é pleno,
independente. Daí o conceito de vida potencial. É mais ou menos o mesmo
conceito. Por que não podem (os embriões) serem usados como doador?”,
questiona.
Na medicina, este ser vivo já tem todas as
características genéticas. “Mas que, para ser um ser humano
efetivamente, é preciso ser implantado no útero.” Segundo o frei
Antônio Moser, assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB) para assuntos de bioética, existem várias teorias sobre o momento
da humanização: coincidindo com a fecundação; após a implantação no
útero; após a constituição básica do cérebro; ou ainda numa fase
posterior. “A Igreja respeita as discussões filosóficas sobre isto,
contanto que não se tire a conclusão em favor do abortamento”, afirma.
Respeito
Para o frei, é preciso respeitar a vida do início ao
fim. “A vida é um processo que se inicia na fecundação, que conhece
vários momentos importantes, mas todos eles decorrentes daquele primeiro
start que se denomina de fecundação”, argumenta. Sendo um processo
contínuo, diz, não há fase pré-embrionária, nem fase pré-humana. “A
humanização vai acontecendo desde a fecundação até a morte.
E para os cristãos a plenitude da vida se dá após a
morte, com a ressurreição.” “A gente sabe como começa a vida, mas
não sabe como começa a vida humana”, afirma o filósofo José Anchieta
Corrêa, professor de ética médica na Faculdade de Ciências Médicas de
Minas Gerais. “Você tem, no ser humano, a alma desde a concepção?
Deve-se sacralizar essas primeiras células (embrionárias, o embrião)?”,
questiona. Ele tenta responder à própria pergunta: “Não sei quando
começa a vida humana.
Só me parece que não deve começar aí porque o ser
humano é muito mais do que isso (células). Precisamos abandonar esse
naturalismo. O ser humano tem o cérebro, o coração, mas só isso não
faz o homem, que é um ser de linguagem, desejo e criação”, afirma. Em
meio à discussão filosófica, o assunto chega à Justiça. No dia 31 de
janeiro passado, o Ministério Público Federal em Taubaté (130 km de
São Paulo), no Vale do Paraíba, entrou com uma ação civil pública,
com pedido de liminar (decisão temporária), para que a Justiça Federal
garanta a realização no país de pesquisas e tratamentos
médico-científicos envolvendo células-tronco embrionárias resultantes
de fertilização artificial.
Ação
De autoria do procurador da República João Gilberto
Gonçalves Filho, a ação pede que a Justiça determine ao Conselho
Federal de Medicina e à União que “não criem nenhum obstáculo à
terapia e à pesquisa médica e científica relativa a células-tronco
produzidas por fertilização in vitro” e descartadas pelas clínicas de
inseminação. Até a última sexta-feira, ainda não havia decisão
judicial sobre o pedido.
Debate é mais religioso que ético
O bioeticista Volnei Garrafa, presidente da Sociedade
Brasileira de Bioética e coordenador da Cátedra Unesco de Bioética da
Universidade de Brasília (UnB), afirma que o debate se concentra mais em
torno da questão religiosa do que sobre a ética. “Existem vidas
humanas que podem ser salvas. Para mim, o problema é deixar de
salvá-las. Eu, que sigo a bioética laica na solução do problema, vejo
que a questão não é ética, mas moral”, diz o bioeticista. Ele afirma
que a Igreja tem todo o direito de defender as suas posições – que,
diz, são morais –, mas não tem direito de impôlas às pessoas que
seguem outras moralidades.
CNBB
A declaração do frei Antônio Moser, assessor da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para assuntos de
bioética, revela que os aspectos religiosos têm realmente grande peso na
discussão. Segundo o frei, outras igrejas também rejeitam o uso de
células embrionárias para pesquisas, mesmo “com a pretensa intenção
terapêutica”. “Igrejas de cunho evangélico e representantes de
outras religiões também se posicionam contra o uso de célulastronco
embrionárias.
Mas o mais surpreendente é que mesmo no âmbito
científico há oposição ao uso dessas células embrionárias, pois elas
não se mostram adequadas para funções outras que não sejam aquelas de
levar adiante o processo vital”, afirma o assessor da CNBB. O frei Moser
diz ainda que sendo a favor do respeito à vida em todas as etapas e em
todas as suas manifestações, a Igreja só pode ser contra a prepotência
de quem se julga no direito de fazer experiências com seres humanos e
decidir sobre quem deve viver e quem deve morrer. (CCH)
ONG ressalta o drama de pacientes
“O que a gente luta é pela vida”, diz a presidente da
organização não governametanl (ONG) Movitae – Movimento em prol da
Vida, a jornalista Andréa Bezerra de Albuquerque. A ONG foi criada em
janeiro de 2003 por pais e familiares de pacientes e hoje, diz, tem 12 mil
membros em todo o país. “Sabemos que pode levar um tempo para que isso
ocorra, que por enquanto é apenas pesquisa. Mas precisamos ter esperança”,
diz. Segundo ela, se todas as doenças neuro-musculares degenerativas
forem somadas, obtém-se um doente para cada grupo de mil pessoas. Dona
Sílvia (nome fictício) tem 87 anos e, há dois, vem sofrendo o mesmo mal
de Laura, personagem vivida pela atriz Glória Menezes na novela “Senhora
do Destino”, exibida pela Rede Globo. Esquece palavras que acabou de
ouvir, chora quando se dá conta de que está perdendo a memória e, mais
recentemente, enfrenta uma depressão.
Falhas
“Viver desse jeito não vale a pena”, diz cada vez
mais com frequência aos filhos. As falhas de memória vêm se
intensificando e, insegura, ela não aceita mais sair de casa. Dona
Sílvia tem mal de Alzheimer, umas das doenças degenerativas crônicas
hoje sem cura nem tratamento, mas que poderão, em um futuro ainda
ignorado, ser beneficiadas pelas pesquisas com células-tronco
embrionárias. O estudo é proibido na maior parte do mundo, mas
familiares de pacientes com enfermidades hoje sem cura travam uma batalha
para a liberação desse tipo de pesquisa no Brasil. Dona Sílvia criou 11
filhos e levava uma vida ativa, fazendo pãezinhos, costuras e tricô para
toda a família. Há dois anos, seus “esquecimentos” começaram a se
agravar. Quando a bisneta nasceu, mostrou desejo de fazer o enxoval.
Frustrada, não conseguiu. “Ela sabe que esquece as coisas e sofre com
isso. Nós (a família), também”, diz uma das filhas. (CCH)
“Violar a vida é o caminho da morte”
FREI ANTÔNIO MOSER
A Igreja se alegra com o progresso das ciências de um
modo geral e particularmente com aquelas que abrem novas perspectivas de
vida saudável para todos. A oposição entre ciência e fé é uma “armação”
de quem não entende nem de ciência nem de fé. Eis o que escreve
Einstein: “Quem diz que religião não se conjuga com ciência é
ignorante tanto de uma quanto de outra”. Entretanto, se há grupos de
pressão para “liberar” qualquer tipo de experiência com seres
humanos, em nome da ciência, não apenas as igrejas e as religiões devem
posicionar- se contra: qualquer pessoa de bom senso sabe que violar a vida
é o caminho da morte. Dentro deste contexto é preciso ter muito presente
que nem tudo o que é tecnicamente possível é moralmente admissível:
podemos matar, mas não devemos.
Ora, retirar célulastronco dos embriões, ao menos por
ora, significa eliminar aqueles embriões. Ademais, por que tentar o uso
de célulastronco de embriões, uso mais do que problemático, quando se
podem usar com maior probabilidade de êxito células adultas, como
aquelas encontradas no cordão umbilical e na medula óssea? A história
não deixa dúvidas: em termos de vida ou se tem por ela respeito
absoluto, ou se abrem as portas para todo o tipo de arbitrariedades, na
linha de uma sempre maior prepotência dos poderosos sobre os fracos, dos
grandes sobre os pequenos.
Em busca do autotransplante
SERGIO D.J. PENA
Às vezes, procedimentos desenhados para um certo fim
específico provam, até inesperadamente, que são mais úteis em outras
áreas. Descobertas recentes permitiram vislumbrar uma área de
aplicação mais promissora para a clonagem humana na área médica do que
a clonagem reprodutiva: a produção de tecidos humanos para
autotransplantes. Células-tronco embrionárias têm a capacidade de se
diferenciar em qualquer tipo celular e podem ser produzidas a partir de
embriões humanos em um estágio inicial de desenvolvimento. Isso
significa que as pessoas poderiam fornecer células e, ao usá-las para
substituir os núcleos de seus próprios ovócitos ou de doadores, criar
embriões clonados e obter célulastronco em cultura.
Essas células poderiam, então, ser induzidas a se
diferenciar em cultura, permitindo o implante de células e tecidos
individualmente desenhados sem os problemas atuais de rejeição, que
afetam o transplante. Esse protocolo constitui a “clonagem terapêutica”
e a medicina baseada nele tem sido chamada de “medicina regenerativa”.
Esse procedimento apresenta dificuldades práticas porque ainda não
conhecemos os fatores de crescimento necessários para induzir a
diferenciação das células-tronco em cada um das centenas de tecidos do
corpo humano. Por isso, serão necessários muitos anos de pesquisa antes
do emprego clínico da clonagem terapêutica.
ONU pede proibição de clonagem humana
CARLA CHEIN
Apesar das profundas divisões, a Assembléia Geral da
Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, na última sexta-feira,
uma declaração não vinculativa que pede aos governos dos paísesmembros
que adotem medidas para proibir a clonagem humana – inclusive para fins
terapêuticos. Alguns países, no entanto, já autorizam a clonagem
terapêutica. No último dia 8, por exemplo, a Grã-Bretanha autorizou o
cientista Ian Wilmut, responsável pela criação da ovelha Dolly em 1996,
a produzir células clonadas de pacientes com doenças neuromusculares
degenerativas. É a segunda licença concedida na Grã-Bretanha desde
2001. A clonagem reprodutiva (de pessoas) é proibida no país.
Brasil
A autorização vale para Wilmut e Paul de Sousa, do
Roslin Institute, na Escócia, e Christopher Shaw, do King’s College
London, na Inglaterra. Eles adotarão a transferência nuclear, técnica
usada para clonar a Dolly – o primeiro mamífero clonado de um animal
adulto. Só que o embrião será destruído para obter células-tronco
usadas no estudo da doença. No Brasil, um projeto de lei (Lei de
Biossegurança) em tramitação na Câmara dos Deputados propõe a
liberação de pesquisas com células-tronco retiradas de embriões
excedentes provenientes de fertilização in vitro. A ONU rejeitou as
emendas apresentadas pela Bélgica para suavizar o texto e permitir a
pesquisa com células humanas para encontrar a cura de doenças como o mal
de Alzheimer, o câncer e o diabetes. A declaração foi adotada com 71
votos a favor, 35 contra e 43 abstenções, e pede aos países que ajustem
suas legislações para proibir todo tipo de clonagem humana.
Proteção
O texto do documento foi apresentado por Honduras, embora
tenha sido redigido pela presidência do Comitê VI da Assembléia, que se
encarrega de assuntos legais e é comandada pelo embaixador marroquino,
Mohammed Benouna. Na declaração pede-se aos Estados membros que tomem
medidas para proteger adequadamente a vida humana nos estudos das
ciências biológicas. Além disso, proíbem-se “todas as formas de
clonagem de seres humanos na medida em que são incompatíveis com a
dignidade humana e a proteção à vida humana”.
Os países-membros também terão de adotar leis
específicas para proibir a aplicação das técnicas de engenharia
genética que possam ser contrárias à dignidade humana. Discussões
Durante as discussões, segundo a Agência Estado, foram formados dois
grupos. De um lado, a Costa Rica, apoiada pelos EUA e cerca de 60 países
– na maioria pobres e em desenvolvimento –, propôs que a ONU elabore
um tratado internacional banindo todo tipo de clonagem humana. Do outro, a
Bélgica, apoiada por 20 países – muitos europeus e o Japão –,
propôs um documento banindo somente a clonagem reprodutiva, deixando a
cada nação o direito de liberar ou não a produção de embriões
clonados para a obtenção de célulastronco.
O racha levou ao adiamento das discussões e à decisão
de fazê-las em reuniões fechadas. A Itália apresentou uma proposta mais
genérica, propondo que a ONU fizesse apenas uma declaração política e,
não, uma resolução ou tratado.
Não há consenso sobre potencial do uso de células
O biólogo Radovan Borojevic, professor do Instituto de
Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),
acredita que as células-tronco de adulto têm um potencial maior para a
medicina do que as embrionárias. “É a minha opinião pessoal. Em
geral, as de medula óssea visam doenças extremamente importantes para a
saúde pública, como as doenças cardiovasculares, que matam 30% da
população.
Não são mais graves que outras, mas têm um número de
pacientes muito maior”, explica. Borojevic admite, no entanto, que, sob
o ponto de vista científico, as pesquisas com célulastronco
embrionárias são relevantes cientificamente porque poderão futuramente
ajudar a tratar – e posteriormente, quem sabe, a prevenir – doenças
degenerativas crônicas que têm grande impacto na vida da família do
paciente.
Mas o geneticista Sérgio Danilo Pena, professor do
Departamento de Bioquímica e Imunologia da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG), ressalta que as células-tronco embrionárias têm a
capacidade de se diferenciar em qualquer tipo celular e podem ser
produzidas a partir de embriões humanos em um estágio bem inicial de
desenvolvimento. Essas células poderiam, então, ser induzidas a se
diferenciar em cultura, permitindo o implante de células e tecidos
individualmente desenhados sem os problemas atuais de rejeição, que
afetam o transplante. (CCh)
Eleição de Severino assusta defensores de lei
A eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a
presidência da Câmara dos Deputados na última semana não surpreendeu
apenas os políticos. Pais e familiares de pacientes que poderiam ser
beneficiados com a liberação de pesquisas com célulastronco
embrionárias receiam que o deputado, classificado como conservador, vete
o projeto de lei 2.401 de 2003 – a Lei da Biossegurança. O projeto
autoriza a pesquisa com células-tronco retiradas dos embriões excedentes
originados da fertilização in vitro. Não há uma estatística oficial,
mas estimativas apontam que existem entre 20 mil e 30 mil embriões
excedentes em clínicas de reprodução assistida por todo o Brasil. “A
eleição do deputado Severino assustou muito a gente. Não era esperado e
pode colocar em risco tudo o que a gente conseguiu no Senado”, disse a
presidente da ONG Movitae – Movimento em Prol da Vida, a jornalista
Andréa Bezerra de Albuquerque, de São Paulo.
Estratégias
Ela informou que o movimento já está traçando estratégias para
convencer o presidente da Câmara sobre a importância do projeto. “Lutamos
pela liberação da clonagem terapêutica, mas a autorização para a
pesquisa sobre terapia celular, no Senado, já é um começo”, afirma
Andréa. O projeto original, de autoria do Executivo, foi entregue à
Câmara dos Deputados no início do governo Lula e previa a liberação,
inclusive, de pesquisas com a clonagem terapêutica (clonagem de um
embrião para a obtenção de células- tronco para pesquisas). No
entanto, segundo o gerente de projetos da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa), que participou das discussões iniciais, o texto foi
alterado no Senado e devolvido à Câmara autorizando apenas pesquisas com
células-tronco obtidas de embriões excedentes originados por meio da
fertilização in vitro. A previsão é que a Câmara vote o projeto até
abril deste ano, mas pode sofrer alterações. (CCh)
Projeto reúne três assuntos distintos
Uma das principais críticas à Lei de Biossegurança em
tramitação no Congresso é o fato de ela reunir três assuntos
completamente distintos. Além do uso de célulastronco embrionárias em
pesquisas, o texto aborda ainda a liberação da produção de
transgênicos e as atribuições da Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança (CTNBio). “A discussão de célulastronco na Lei de
Biossegurança não é natural, não é lógica”, reconhece o médico
geneticista César Jackoby, gerente de projetos da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa), ligada ao Ministério da Saúde. “A
biossegurança discute organismos geneticamente modificados (OGMs) e a
célula-tronco não é geneticamente modificada”, explica. Segundo ele,
a clonagem reprodutiva ou terapêutica não envolve esse tipo de
engenharia genética.
Problema
O problema, disse Jackoby, é que, entre as vedações
citadas na Lei de Biossegurança 8.974 de 1995, está a proibição da
manipulação de gametas e embriões. “Aí surgiram as discussões sobre
clone, embriões clonados. No segundo semestre de 2003, a Casa Civil
começou a discutir a vedação”, disse. Ele admitiu que o ideal seria
separar os assuntos, mas ressaltou que fazer isso agora seria dar um passo
para trás. O gerente de projetos da Anvisa informou que o Ministério da
Saúde segue a posição do Executivo. A proposta original, apresentada
pela Casa Civil à Câmara dos Deputados, aborda a clonagem terapêutica.
“A Câmara aceitou isso, só que, no Senado, por pressões religiosas,
houve uma inversão disso”, explicou. Segundo ele, a Câmara terá que
optar entre o projeto original, o texto alterado ou na fusão dos dois
projetos. (CCh)
21.02.2005
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