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Sintomas Oculares
Cuidados
com os olhos durante o verão
Sol, calor, vento e água de piscina e praia podem causar
doenças à visão
O verão chegou e trouxe com ele muito sol, calor e
vento.
A luz solar, que tanto nos traz vitalidade, quando em
excesso pode causar também sérios danos à pele e aos olhos. A luz
solar é formada por ondas eletromagnéticas que incluem raios X,
raios ultravioletas (UV), raios infravermelhos e luz branca. A
radiação ultravioleta é a principal causadora de danos ao nosso
organismo.
Os raios ultravioletas (UV) podem ser de três tipos:
UVC, que é 100% absorvido pela camada de ozônio, UV-B, que
eventualmente atravessam esta camada e os UVA, que passam normalmente
através dela. Estes raios UV estão em toda estação do ano (maior
no verão e primavera) e cobertura das nuvens (as nuvens espessas
absorvem a maior parte dos raios UV, mas é preciso ter cuidado com as
nuvens finas como o mormaço, pois estas deixam os raios UV passarem
através delas).
Água, areia, concreto e neve refletem os raios solares, aumentando em
20% a radiação ultravioleta, por isto, devemos ter cuidados
redobrados de proteção nesses ambientes com uso de protetores
solares para a pele e óculos escuros para a proteção dos olhos.
A ESCOLHA DOS ÓCULOS ESCUROS
Questionado sobre o assunto, o oftalmologista Fábio
Vaccaro fala dos cuidados que se deve ter ao adquirir um óculos de
proteção solar. Segundo ele, até bem pouco tempo as pessoas
acreditavam que usar um óculos de lente escura quando saíssem ao sol
estariam protegendo seus olhos. Entretanto, provou-se que as lentes,
para proteger a retina das toxidades do sol, precisavam de tratamento
contra os raios UV.
De acordo com o oftalmologista, para evitar que a
ação desses raios atinja a retina, o cristalino e a córnea, foram
desenvolvidas as lentes com proteção ultravioleta até 400 nm
(nanômetros), que impedem os raios nocivos de chegarem até os olhos,
agindo como um filtro. Ele informa, ainda, que a proteção deve ser
usada inclusive em dias nublados, da mesma forma que se recomenda os
bloqueadores para a pele. "Enquanto os danos na pele causados por
esses raios são mais do que conhecidos, a ação deles sobre os olhos
ainda é pouco comentada", explica.
A proteção em 400 nm impede que os raios UVA, os de
maior potencial agressivo, atinjam a retina, córnea e cristalino,
oferecendo cobertura total contra a radiação ultravioleta nos olhos.
Entretanto, Vaccaro faz um alerta: "nem todas as lentes vêm com
proteção UV". Cabe à ótica informar o consumidor sobre a
tecnologia e os benefícios oferecidos pelos fabricantes, bem como é
importante que o consumidor saiba exatamente qual o grau de proteção
do óculos que está comprando. "Este é um direito do consumidor
porque usar óculos escuros pensando que está protegendo os olhos,
sem o estar, prejudica e compromete a visão no futuro",
sentencia.
Fábio Vaccaro recomenda que na escolha dos óculos de
sol, não se deve confundir a cor da lente com habilidade de
proteção aos raios UV, a qual é proveniente de uma cobertura
química aplicada na lente. "Como já sabemos dos efeitos danosos
dos raios ultravioleta sobre nossos olhos, como catarata e lesões na
retina, entre outros, verdadeiramente não existe uma lei universal de
regulamentação para luz ultravioleta (UV) e o uso ou fabricação de
óculos de sol. A maioria dos óculos apresenta uma etiqueta de
proteção aos raios UV, sendo que se recomenda lentes que bloqueiem
de 99% a 100% de luz UV, tanto UVA como UVB, ou as que apresentem na
etiqueta absorção de 400 nm. Os que bloqueiam raios infravermelhos
não são de maior importância, pois estudos demonstram uma relação
entre as patologias oculares e os raios infravermelhos".
DOENÇAS OCULARES QUE O SOL E O CALOR PODEM
CAUSAR
Catarata: é uma doença em que o cristalino, que é a
lente natural do olho, situada atrás da pupila, torna-se opaco,
impedindo a passagem de luz até a retina, onde as imagens são
formadas e transmitidas ao cérebro. A pupila torna-se esbranquiçada
e o cristalino com uma coloração leitosa.
A formação da imagem fica parcial ou totalmente
prejudicada. Entre as causas do aparecimento da doença, além da mais
comum que está relacionada com o envelhecimento natural do olho
(catarata senil) está a exposição à luz ultravioleta. Entre os
sintomas estão visão constantemente nublada ou borrada, dificuldade
na visão noturna, problemas com o excesso de luminosidade, como
letreiros que parecem brilhantes demais à noite, ofuscamento pelas
lâmpadas ou pelo sol, ou uma auréola em torno dos focos de luz,
visão distorcida ou dupla, dificuldade de leitura de letras miúdas
como em catálogos telefônicos e bulas de remédios.
Ceratite: é uma lesão da córnea, a lente
transparente que se situa na parte anterior do olho. Ela pode ser
causada pelo calor, vento e exposição prolongada ao sol ou ciscos
nos olhos. Os olhos ficam avermelhados, lacrimejantes, com sensação
de areia, fotofobia e a visão embaçada. Neste caso, procure seu
oftalmologista para tratamento específico com colírios e pomadas.
Conjuntivite: que é uma inflamação da película que
recobre a parte branca dos olhos. Ela pode ser alérgica, traumática
ou microbiana. Neste caso, os olhos ficam inchados, vermelhos,
doloridos e com secreção. Deve-se lavá-los com bastante soro
fisiológico ou água boricada, e em seguida procurar seu
oftalmologista'para tratamento.
Secura Ocular: pode ser devida a uma redução da
secreção de lágrimas ou excesso de evaporação das mesmas. O calor
excessivo e o uso constante de ar condicionado no verão favorecem o
ressecamento dos olhos, isto porque o ar condicionado retira toda a
umidade do ambiente refrigerado. Os sintomas são ardor e discreta
vermelhidão dos olhos. Este incômodo é facilmente resolvido com o
uso de colírios lubrificantes (lágrimas artificiais).
Pterígio: é caracterizado por uma pelezinha na
superfície do olho que cresce do canto para o meio, sobre a córnea.
É causado em parte, pela luz do sol, poeira ou vento. Pode provocar
queimação, ardor, vermelhidão, o que piora se a pessoa ficar
exposta ao sol. Em muitos casos a cirurgia é indicada para
removê-lo, antes que alcance a pupila, mas também pode estacionar e
não ser necessária a sua remoção cirúrgica.
USUÁRIOS DE LENTES DE CONTATO
Segundo o oftalmologista Fábio Vaccaro, os usuários
de lentes de contato também devem ter alguns cuidados especiais
durante o verão. Nesta época, os mesmos fatores como o calor, o
vento e o uso de ar condicionado também favorecem o ressecamento dos
olhos e das lentes, causando incômodo constante, ardor e vermelhidão
ocular.
O uso de colírios lubrificantes evita o aparecimento
destes sintomas. O sol forte causa muita fotofobia e os ventos
constantes podem levar ciscos para dentro dos olhos, causando muita
dor e lacrimejamento.
O uso de óculos escuros sobre as lentes de contato
protege os olhos, trazendo segurança e conforto.
Quando for à praia ou à piscina com suas lentes, o
oftalmologista recomenda o uso de óculos escuros para proteger as
lentes do vento e corpos estranhos. Ele ainda aconselha que se você
for nadar, lembre-se de colocar óculos de mergulho, pois, caso
contrário, correrá o risco de perder as lentes na água, ou até
mesmo contaminá-las com fungos e bactérias comuns em águas
públicas.
Em caso de vermelhidão, dor, secreção e
lacrimejamento com as lentes de contato, não insista em usá-las.
Retire-as, lave-as bem e procure seu oftalmologista para diagnóstico
e tratamento adequado.
Oftalmologista Fábio Vaccaro
21.01.2005
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