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Humanização Hospitalar
Pequenos
pacientes exigem ambiente acolhedor e presença da família
Tornar a permanência mais confortável e mais
humana possível auxilia na recuperação da doença
O verão é a estação do ano mais esperada e
celebrada por pessoas de todas as idades, especialmente as crianças,
porque é sinônimo de férias, praia, piscina, viagem com a
família... Elas passam o ano inteiro sonhando com isso. Mas, às
vezes, isso nem sempre é possível de se realizar e torna-se mais
difícil quando este momento é interrompido por uma doença,
principalmente quando acomete uma criança, e há a necessidade de uma
internação hospitalar.
Sabe-se que este período nunca é fácil, nem para os
pequenos pacientes nem para os pais. Para tornar menos desagradável o
tempo longe de casa, hospitais apostam na humanização, buscando
tornar o ambiente hospitalar acolhedor, tornando a permanência mais
confortável e mais humana possível.
O Hospital de Caridade é um exemplo a ser seguido na
questão da humanização hospitalar e no trato com a criança. Além
disso, a família também tem um papel importante na recuperação da
criança, uma vez que a sua presença significa segurança,
tranqüilidade e redução da ansiedade que acomete os menores.
Hoje já é unanimidade entre os profissionais que
assistem crianças que a participação dos pais é fundamental na
recuperação da criança. Para a enfermeira da Pediatria do Hospital
de Caridade, Kelli Colossi, o tratamento pediátrico está fortemente
vinculado ao comportamento da família e é de grande importância a
presença dos pais junto às crianças internadas, assim como a
presença de irmãos e avós. Segundo ela, muitas vezes são os avós,
especialmente as avós, que permanecem a maior parte do tempo junto
às crianças, porque os pais têm que trabalhar, não conseguindo
permanecer durante o dia no hospital. À noite, geralmente a presença
mais assídua é das mães.
- Os pais são nossos aliados. Nós os encorajamos a
estar junto da criança no momento dos procedimentos, porque eles
trazem segurança, explica. Kelli diz que a grande maioria dos pais
colabora com a equipe, permanecendo junto na sala de punção de veia
para administração de medicamentos por via intravenal, para ajudar
no procedimento, conversando e segurando a criança. Segundo ela, em
raras ocasiões as mães não acompanham as crianças nestes momentos.
"Os pais (homens) quase sempre se recusam a permanecer na sala de
punção junto à criança, ficando, muitas vezes, apavorados e com
medo de ajudar", confidencia.
Para a enfermeira Kelli, a permanência dos pais
durante a hospitalização, participando no cuidado da criança, ajuda
a humanizar o atendimento e melhorar a relação da família com o
corpo clínico. Durante esta permanência, a equipe também aproveita
para transmitir noções de educação sanitária, nutrição,
administração de medicamentos e procedimentos simples de enfermagem,
assim como cuidados e prevenção de doenças.
A psicóloga do HC, Ângela Barbatto, confirma que no
aspecto emocional, os pais são muito importantes na recuperação da
criança hospitalizada, apesar de poderem, em alguns momentos,
influenciar de forma positiva ou negativa. Quando positivamente, gera
segurança, apoio e tranqüilidade. Negativamente, medo, ansiedade e
reforço do ganho secundário da doença.
Conforme relata a psicóloga, toda hospitalização mobiliza uma
diversidade de sentimentos e, no caso das crianças, muitas vezes são
os pais que vivenciam mais intensamente estas emoções, por isso,
segundo ela, é comum surgir o sentimento de culpa vinculado ao
fracasso: "não consegui cuidar direito". Entre os
sentimentos que a criança pode apresentar, Ângela diz que os mais
comumente percebidos são os de medo e tristeza - por estar longe de
casa, dos amigos, da escola... -. Muitas vezes a criança tem a
fantasia de que está doente porque está sendo castigada. Mas a
psicóloga explica que a criança só se sente "castigada"
quando tem internalizada a ligação entre castigo = hospital. Este é
o caso, segundo ela, quando os pais dizem para as crianças: "se
você não se comportar, vou te levar ao hospital para fazer uma
injeção".
Contudo, se estes sentimentos aparecerem eles são
facilmente detectados pois a criança fica agitada e chora muito com
medo de tudo. "Trabalhamos com estes sentimentos", afirma a
psicóloga. Neste caso, a equipe intervém conversando e tentando dar
explicações para a criança, de um modo claro e simples, de forma
que lhe transmita tranqüilidade. Mas se isso não for suficiente,
Ângela diz que entra o acompanhamento psicológico mais intenso para
tentar dissolver este entrave que foi criado.
Assim como em outras unidades de internação do HC, a
Pediatria trabalha com equipe multiprofissional integrada por
médicos, enfermeiras, técnicas e auxiliares de enfermagem,
fisioterapeuta, nutricionista, psicólogas, higienizadoras, copeiras,
irmãs, secretária, onde cada profissional pode e deve contribuir
para que seja oferecido um atendimento completo e qualificado.
CORREDORES ALEGRES AMENIZAM O SOFRIMENTO
Outro fator que também influencia no tratamento das
crianças é o ambiente físico, como a sala de recreação e os
corredores inteiramente decorados com figuras do fundo do mar, com
peixes, estrelas do mar e tartarugas. A sala de pequenos procedimentos
e de punção de veia está decorada com casinhas e bichinhos como
leões, ursinhos, passarinhos, árvores, flores etc. .
Neste local também há ursinhos de pelúcia e
fantoches para reduzir o medo e a ansiedade da criança. Segundo a
enfermeira da Pediatria, Kelli Colossi, o ambiente hospitalar
proporcionado pelos desenhos e a presença de brinquedos estimula as
crianças a se integrarem melhor a ele. "O hospital deixa de ser
um lugar hostil e a aceitação aos procedimentos hospitalares se dá
da melhor forma possível", acentua.
Assim como a presença permanente de um rosto amigo, a
diversão também é um remédio natural para a recuperação dos
pequenos pacientes. Um dos recantos preferidos das crianças é a
Brinquedoteca, que é uma sala ampla de recreação equipada com
balanço, escorregador, TV, motoca, carrinhos, mesinhas, cadeiras,
bonecas, joguinhos, papéis, lápis de cor, giz de cera, canetinhas,
pincéis, tintas.
Neste local são desenvolvidas atividades lúdicas, de
recreação e pedagógicas. Durante o período escolar, três vezes
por semana, no turno da tarde, estagiárias dos cursos de Pedagogia da
URI - Campus de Erechim e do Magistério da Escola Estadual José
Bonifácio - JB -, orientam as brincadeiras, reservando um espaço
para a hora do conto e atividades dirigidas.
O material produzido na Brinquedoteca, quando a
criança permite, é afixado no mural do corredor da ala pediátrica.
Outro local de grande procura dos pequenos é o
playground localizado no jardim interno do HC, no térreo, que dispõe
de diversos brinquedos como balanço, gira-gira, gangorra, cavalinhos
de mola, escorregador. As crianças internadas são estimuladas tanto
para irem à Brinquedoteca como ao playground para brincarem e
passearem ao ar livre, acompanhados pelos pais ou responsáveis.
A enfermeira Kelli informa que estes locais somente
não são permitidos quando a criança está com alguma doença
infecto-contagiosa ou quando a recomendação médica é para que
permaneçam em seus quartos. Neste caso, segundo a enfermeira, os
pacientes são orientados com muita cautela para não decepcioná-los
e são apresentadas outras opções de atividades dentro dos próprios
quartos como joguinhos, pinturas, desenhos. Também são levadas até
elas livrinhos de estórias e é permitido levar ao hospital
videogames, DVDs, CDs, fitas de vídeo. Tudo isso é para aliviar o
estresse hospitalar e proporcionar bem-estar aos pacientes.
NA UTI PEDIÁTRICA TEM LUGAR PARA OS PAIS
Quando a doença da criança é mais grave e há a
necessidade de internação na Unidade de Tratamento Intensivo
Pediátrica - UTI -, os pais também permanecem permanentemente junto
às crianças. O Hospital de Caridade disponibiliza três boxes -
pequenos quartos - dentro da UTI com sofá-cama, banheiro privativo e
televisão.
No caso de procedimento cirúrgico, os pais também
sempre acompanham a criança. Eles entram no Centro Cirúrgico
permanecendo com a criança na sala pré-anestésica, igualmente
decorada com tema infantil, e logo que ela começa a acordar, eles já
são chamados para a acompanharem na sala de recuperação. Na hora
dos exames laboratoriais, radiológicos ou outro tipo de exame por
imagem, os pais também estarão ao seu lado.
A HORA DA ALIMENTAÇÃO
A criança internada sempre recebe atenção especial
de toda a equipe do hospital. Com relação à nutrição não é
diferente. Diferentemente do que se poderia esperar, segundo a
nutricionista Gabriela Zemolin, responsável pelo Serviço de
Nutrição e Dietética do HC, a criança, na maioria das vezes,
aceita muito bem o cardápio oferecido. Segundo ela, é rara a
solicitação de cardápios especiais ou totalmente diferentes dos que
são sugeridos. Entretanto, sempre que solicitada alguma comida
diferenciada, na medida do possível e se a dieta prescrita pelo
médico permitir, se fazem as mudanças desejadas para que a criança
possa se alimentar bem, contribuindo, assim, para o sucesso do
tratamento.
Há, também, uma atenção especial para as datas
comemorativas - Dia da Criança, Natal, Pascoa etc -, assim como o
próprio aniversário da criança hospitalizada. Nesta ocasião ela
ganha um lanche especial servido em uma bandeja decorada onde são
oferecidos docinhos, salgadinhos, sanduíche especial e outras
guloseimas, acrescido de frutas e sucos. A equipe da Pediatria ainda
enfeita o quarto com balões, distribui chapéus, língua de sogra e
canta parabéns a você.
Como nesta época do ano são freqüentes as
internações de crianças para procedimentos cirúrgicos de retirada
de amídalas ou adenóides, os pequenos pacientes são incentivados a
consumirem sorvetes e picolés. Há cuidados redobrados com pacientes
diabéticos e acometidos de viroses, como o rota vírus, que provocam
diarréia e desidratação.
A taxa de ocupação na Pediatria do HC está girando
em torno de 12 leitos por dia. A capacidade total é de 14 leitos
individuais e mais três coletivos, menos utilizados porque, hoje, no
HC, a criança internada está sempre acompanhada dos pais ou
responsáveis. Uma constatação da enfermeira Kelli é que nos dois
últimos anos não há diferença no índice de ocupação de leitos
nas diferentes estações do ano. "A taxa de ocupação tem se
mantido a mesma, tanto no inverno como no verão", salienta.
Entre as principais causas de internação nesta época de calor
estão as gastro-intestinais, as respiratórias, as viroses, uma delas
o rota vírus, e a salmonela.
O PROJETO DE HUMANIZAÇÃO PEDIÁTRIA DO HC TEM
NOVAS METAS PARA 2005
De acordo com a enfermeira Kelli, o HC tem uma equipe
de 15 profissionais de diversas áreas que é responsável pelo
projeto de Humanização Hospitalar na ala Pediátrica. Segundo ela,
este grupo multiprofissional atuou junto em 2004 e este ano a proposta
é aumentar as metas, agregando novas atividades. Uma delas é o Cine
Kids, que será desenvolvido todas as quartas-feiras à tarde, na
Brinquedoteca.
Outro objetivo é ampliar o número de estagiárias do
Curso de Pedagogia para desenvolverem atividades educacionais,
lúdicas e recreativas com as crianças todos os dias da semana.
Uma proposta inovadora é implantar a pedagogia
hospitalar, ou seja, manter contato com as professoras das crianças
internadas para que sejam enviadas as atividades e tarefas
desenvolvidas em sala de aula e que estas possam ser aplicadas às
crianças, a fim de que o período de afastamento da escola não
prejudique os seus estudos e ajudando-a a manter o vínculo com a sua
escola e a acompanhar os trabalhos que acontecem em sala de aula.
Kelli também disse que pretende trazer mais vezes os palhaços da
Risoterapia que desenvolvem trabalhos voluntários nos hospitais da
cidade.
Para finalizar, a enfermeira Kelli disse acreditar que
as estratégias executadas através de ações simples, que contam com
o apoio de familiares, estagiários, voluntários e, principalmente,
com a participação efetiva dos profissionais do HC, têm sido de
fundamental importância para a melhoria da qualidade de vida da
criança enquanto internada e de seu quadro geral de saúde, para o
alívio do sofrimento, a recuperação da saúde e do bem-estar e,
ainda, da diminuição do tempo de permanência da internação
hospitalar.
21.01.05
Corredores da Pediatria são decorados com motivos do fundo do
mar
Enfermeira Kelli Colossi com Bernardo Luiz Prior e a mãe
Mônica, na Sala de Punção
Erik Antoni Ferreira Amaro no playground do HC
Erik Antoni Ferreira Amaro, de 1 ano e 2 meses adora o carrinho
da Brinquedoteca
Na sala de punção os pequenos pacientes são distraídos com
brinquedos e fantoches
Mesmo com tala na mão para receber a medicação, Gustavo
Henrique Parmigiani, de 6 anos, cria castelos na Brinquedoteca
No Mural da Pediatria são expostos os trabalhos dos artistas
infantis
Pais acompanham as crianças no playground
Ronaldo Antônio Manfredini Jr, que faz 5 anos no dia 30 deste
mês, levou de casa o seu brinquedo preferido, o jogo de Xadrez que
joga com a mãe Cleide Manfredini
21.01.2005
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